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Adiamento do Carnaval Salvador 2021 com perdas para comerciantes e empresários

Hotelaria, turismo, comerciantes de abadás, ‘temporários’ e autônomos são os mais afetados com a decisão.

A possibilidade de adiar o tradicional ‘Carnaval de Salvador’ para julho de 2021 voltou a ser discutido pelo prefeito ACM Neto na última segunda-feira, 20. Mesmo com as expectativas geradas pela vacina da Universidade de Oxford — prevista, supostamente, para o final de 2020 —, ACM estabeleceu o mês de novembro como prazo limite para tomar a decisão sobre o adiamento da folia.

Apesar da capital ensaiar o retorno gradual das atividades comerciais com o plano “Retomada Salvador”, a suspensão prévia do carnaval interfere na projeção econômica de outros mercados que se encontram enfraquecidos, como os abadás, fantasias, autônomos, freelancers, seguranças e profissionais de eventos. Tendo em vista a baixa estação após o período carnavalesco, a chegada das festas movimenta os negócios e garante o sustento dos próximos meses.

Segundo estimativas da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o carnaval movimentou cerca R$ 8 bilhões em 2020, além de ter alavancado em 2,8% a contratação de trabalhadores temporários, em comparação ao ano passado. Na capital baiana, os números também foram positivos. Conforme apresentado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), a maior festa de rua do mundo movimentou em torno de R$ 1,8 bilhão a economia do município.

Com a chegada da pandemia de coronavírus (COVID-19), o planejamento financeiro de comerciantes e empresários no ‘Carnaval de Salvador 2021’ sofreu alterações. Segundo o consultor de empresas, Alex Cruz, o adiamento das festas de fevereiro para julho significa mais 5 meses da baixa estação em pelo menos 50 setores da economia, entre eles, o mercado de hotelaria, turismo e a categoria dos autônomos, ameaçados constantemente pela crise.

“Diversos setores do comércio veem no carnaval a oportunidade de lucrar, como uma espécie de 13º salário. Com o atraso, mais estabelecimentos podem ter que fechar as portas sem o retorno da alta estação, e os trabalhadores empregados por essas categorias continuam sem receber na folha de pagamento, quebrando diretores e funcionários. Como o carnaval 2021 não deve voltar ao mesmo patamar econômico deste ano, os profissionais não devem contar com o mercado aquecido, sobretudo a categoria de vendas de abadás, que antecipa as vendas no início do ano. É preciso analisar e ter muito cuidado para a demanda não extrapolar a procura”, elucida.

A frente da Cruz Consultoria, Alex explica que as consequências deixadas pelo coronavírus irá impactar diretamente no comportamento dos brasileiros no quesito de celebrações, como o caso do carnaval. Registrando mais de 80 mil óbitos em solo nacional e 611 mil ao redor do globo, o consultor prevê um mercado mais consciente e desanimado para festejos após pandemia histórica. Mesmo a folia reprogramada para julho, Alex afirma que o comércio deve seguir apresentando oscilações.

“Entre as perdas projetadas no carnaval de 2021, devemos ter quedas no número de consumidores da região e turistas, na procura por temporários (freelancers), demanda de produtos (alimentos, vestuário) e transporte (uber, transporte público, 99POP, táxis), movimentação de distribuidoras, quartos de hotéis, salões de beleza e barbearias, faturamento de ambulantes e informais. O consumidor também deve esperar preços mais salgados, uma vez que todos esses setores buscam quitar as dívidas acumuladas da crise e dos 5 meses extras de baixa estação”, conclui.

Para conhecer mais sobre os impactos do carnaval em setores da economia, acesse consultoriacruz.com.br ou a página do Instagram @cruzconsultoria.

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