Brasil

“Vai ficar na história”, diz diretora sobre filme focado em vivências

Os desafios enfrentados por seis indígenas baianos pertencentes à aldeia Tupinambá e que vivem no município de Olivença, na Bahia, serão abordados no documentário ritual ‘Ama mba’é Taba Ama’, que foi gravado no Litoral Sul do estado. O termo que significa “Levanta essa aldeia, Levanta” dá título a um canto de ritual da língua nativa tupi. O filme é dirigido pelas cineastas Gal Solaris e Nádia Akawã Tupinambá.

Junto com a história de Nádia, o filme mostrará as vivências indígenas de mais cinco pessoas. “A gente procurou por características específicas. Tem uma anciã, que é Dona Lourdes, que é uma das pessoas mais idosas da aldeia e tem muitos conhecimentos antigos; o vice-cacique Carcará, que é extrativista e agricultor; o Cipó, que é artesão e também tem conhecimentos sobre ervas medicinais; e o Pytuna, que é mais jovem, é um rapper e compõe músicas conectadas com as questões do território. Nós escolhemos para ter uma multiplicidade de olhares para compor o filme”, detalhou Gal em entrevista ao Portal A TARDE. “Nádia, que é uma liderança indígena, e o Cacique Ramon Itajibá Tupinambá também são personagens”.

O objetivo é valorizar a cultura dos povos originários, com destaque para a tribo Tupinambá, e fortalecer as lutas sobre importantes questões, como regularização fundiária em territórios considerados “sagrados”, Marco Temporal e morte de indígenas devido à invasão de áreas. Com o processo de urbanização das cidades, os territórios indígenas reduziram ao longo dos últimos anos e a narrativa acontece através das diferenças entre as paisagens dos espaços da aldeia sobre o desenvolvimento do entorno causados pela expansão imobiliária, turismo predatório e mineração.

Gal explicou que o trabalho surgiu de uma relação de longa data entre Glaucia e Nádia — a dupla já fez outros trabalhos. Depois de um curta realizado em 2017, a elas tiveram a ideia de fazer um longa-metragem e conseguiram recursos através da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA).

“A gente teve vários encontros na aldeia, nós conversamos com as pessoas, gravamos entrevistas. Desse processo de pesquisa resolvemos escolher esses personagens e focar dentro da Aldeia Tucum. O povo Tupinambá é composto por 24 aldeias e pega três municípios. A gente tem muita coisa para falar, mas resolvemos focar em uma das aldeias para poder aprofundar um pouco mais no cotidiano das pessoas”, detalhou a diretora.

A Tarde

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