A Psicóloga Gabriela Sampaio realizou uma entrevista Ao Vivo na tarde desta quarta – feira (24) e falou das principais demandas da psicologia atual, principalmente na região.
Diversos assuntos foram trazidos, sobretudo sobre saúde mental, doméstica, relacionamentos conjugal e familiar, competição entre mulheres, preconceitos com classes sociais, pessoas de cor, dentre outros.
Formada pela Universidade Federal da Bahia em 2009, há 10 anos, a psicóloga e agora aluna do doutorado do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/UFBA), Gabriela Sampaio utiliza o instagram e o youtube divulgando vídeos com foco nas necessidades emocionais das mulheres.
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Foto: Yago Lázaro – Criativa On Line
Abaixo, algumas informações importantes sobre os temas da entrevista:
- Quem sou eu e um pouco da minha experiência profissional
- Por que eu decidi focar no grupo de mulheres?
(minhas experiências enquanto mulher; busca maior por atendimento psicológico; implicação com o autocuidado; reforço cultural para o desabafo feminino; maior parte dos problemas de cunho afetivo relacional; projeta nos filhos dificuldades familiares).
Que cenário social nós temos e estamos imersos?
Homens e mulheres sob “laços fluidos” – a cultura do descartável; do novo revigorante; implicação e responsabilização nos relacionamentos; solidão; evitação de contatos; as prateleiras do amor – mulheres preferidas e mulheres preteridas (não escolhidas); um cenário de violências – o nosso país constrói sua cidadania pela violência, foi assim historicamente – violência nos casais; violências e situações de saúde em populações consideradas “fora da norma”.
No Brasil, em dados mais recentes, sua população é mais que 207 milhões. Segundo os dados da PNAD Contínua (2018) (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) a população brasileira é constituída de 51,7% de MULHERES e 48,3% de HOMENS. População brasileira envelhecendo e encontramos maior quantidade de mulheres na faixa etária de 35 a 39 anos e de homens entre 15 a 19 anos. Temos uma população maiorirariamente jovem (68,5% – entre 15 e 64 anos). Expectativa atual de vida em média de 75 anos. Mulheres vivem em média até os 79 anos e os homens, até 71 anos. A população idosa já duplicou em 20 anos (envelhecimento populacional, deficiência, cuidado – agenda pública). Zika Vírus – nascimento de crianças com diversas deficiência…).
Questões relativas a casamento: brasileiros permanecem casados por em média, 14 anos (estatística de 2017 do IBGE- em 2007, casamentos duravam 17 anos em média). Aumento do número de divórcios em 8,3% entre os anos de 2016 e 2017. 3 casamentos para 1 divórcio. Casamentos entre pessoas do mesmo sexo cresce comparados aos casamentos heterossexuais (legislação, abertura da sociedade, aceitação), porém ainda representam 0,5 dos casamentos registrados.
Mulheres casam mais cedo do que os homens (aos 28 anos/ os homens, aos 30 anos). No divórcio, as mulheres ainda continuam as responsáveis pelos filhos. Essa situação incrementa o aumento na carga de cuidado. Diminuição da renda e suporte.
Baianos se casaram mais em 2016. O maior percentual de casamento foi entre os casais homoafetivos (de 117 casamentos no ano anterior para 167).
Mulheres com alta sobrecarga doméstica adoecem mais por Transtornos Mentais Comuns (insônia, fadiga, irritabilidade, esquecimento, dificuldade de concentração e queixas somáticas. Em termos gerais, transtornos mentais comuns designam situações de sofrimento mental) com ajuda e partilha de tarefas, a prevalência diminui (principalmente com o auxílio da empregada doméstica). Ser negra ou parda, divorciada, viúva ou desquitada, baixo nível de escolaridade ou renda e ter filhos, ser chefe de família e sem oportunidade de lazer (Araújo, T., Pinho e Almeida, 2005). Realizado em Feira de Santana na Bahia.
Homens morrem mais por questões de violência
Sexo: diferenças biológicas entre homens e mulheres.
Gênero: masculino e feminino.
Há desigualdades entre mulheres e homens: oportunidades de tomadas de decisão, sobrecarga de trabalho, espaços políticos, trabalho doméstico.
As mulheres se destacam no quesito educação, mas há diferenças entre os salário (aproximadamente 68% as mulheres recebem dos salários dos homens). Os homens morrem mais tendo em vistas maiores comportamentos de tabagismo e exposição à violência.
Rio de Janeiro: mulheres brancas com nível superior: 22%
Mulheres negras com nível superior: 7%
Mulheres: responsáveis por 39% dos domicílios.
Trabalho doméstico: em 2016 as mulheres trabalharam mais que 54h em casa. Os homens 51,5 horas semanais.
Atividades “invisíveis” que contribuem para a economia brasileira (Produto Interno Bruto – PIB): cuidar de outros, produzir alimentos, cuidar da casa. O serviço doméstico tem valor para a economia por vários motivos. Porque uma pessoa poderia estar no lugar de contratada realizando essas atividades e segundo, porque para alguém sair para trabalhar, tem que estar alimentado, tem que estar com a roupa limpa, tem que haver a organização de uma economia, a economia do lar.
As mulheres dedicam mais de 20 horas no cuidado com os outros; os homens, 11h, aproximadamente. Mesmo trabalhando, as mulheres não estão isentas de realizar os trabalhos de cuidado e doméstico.
As mulheres casadas dedicam-se ainda mais aos cuidados com o lar e com a família. A condição de um casamento impõe mais responsabilidades neste campo. Em relacionamentos heterossexuais (mulheres e homens convivendo juntos) aproximadamente 95% das mulheres realizam as tarefas domésticas. (Lembrar dos processos de subjetivação da mulher? Como ela socialmente se constitui? O que é esperado dela? O casamento (amor) e filhos (a gestação).
Fonte: (agência de notícias do IBGE).
Mulheres compõe a expressiva maioria de trabalhadoras domésticas. Há diversidade entre homens e mulheres. Realidades distintas.
Saúde mental da mulher: (ARAÚJO e CARVALHO, 2009).
OCUPAÇÕES FEMININAS:
Problemas vocais, problemas osteomusculares e saúde mental. Relação com a organização do trabalho dos docentes. Docentes envolvidos com trabalho de maior exigência desenvolviam mais problemas de saúde. Fiscalização contínua do desempenho, relações com alunado, movimentos repetitivos, salas com acústica comprometida etc.
Atribuições e valorização social de determinadas profissões. Relações de gênero no interior dos ambientes organizacionais. Alguns estudos relatam que mulheres professoras têm menos escolaridade que os professores homens e assumem maior carga de trabalho na escola junto a afazeres domésticos. Divisão sexual do trabalho semelhante á divisões entre trabalho manual e intelectual.
- A depressão é um transtorno mental frequente. Em todo o mundo, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofram com esse transtorno.
- A depressão é a principal causa de incapacidade em todo o mundo e contribui de forma importante para a carga global de doenças.
- Mulheres são mais afetadas que homens.
- No pior dos casos, a depressão pode levar ao suicídio.
Existem vários tratamentos medicamentosos e psicológicos eficazes para depressão.
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