
Por Henrique Brinco
Mesmo após a aprovação de um subsídio de R$ 67 milhões para o transporte coletivo em Salvador, o anúncio de um novo reajuste na tarifa de ônibus pelo prefeito Bruno Reis, provocou reação imediata da oposição na Câmara Municipal. A vereadora Aladilce Souza (PCdoB), líder da bancada oposicionista, classificou a decisão como autoritária e afirmou que o Executivo voltou a ignorar o Legislativo e os mecanismos de controle social.
A crítica ocorre em meio ao recesso da Câmara e às vésperas da virada do ano, o que, segundo a parlamentar, agrava o cenário. “É um absurdo esse anúncio agora, na véspera da virada do ano, com a Câmara em recesso. O subsídio que aprovamos, dado para os empresários de ônibus, é dinheiro público, é dinheiro do povo. Então o povo contribui com os impostos para pagar o subsídio ao transporte e ainda arca com o aumento. Quer dizer, o povo está sendo penalizado duplamente”, declarou.
A comunista afirmou que a lógica da gestão municipal segue a mesma linha adotada em outros momentos. “É a mesma prática de atropelar a Câmara e não enviar a planilha de custos para discussão sequer do Conselho Municipal de Transporte, que permanece inativo”, argumentou. De acordo com a parlamentar, a ausência de transparência impede um debate mais amplo sobre alternativas para equilibrar o sistema sem penalizar os usuários.
Aladilce destacou ainda o impacto social do aumento. Segundo ela, cerca de 30% da população de Salvador já deixou de utilizar o transporte coletivo por não conseguir arcar nem mesmo com a meia passagem. “E o que foi feito do subsídio que aprovamos na Câmara justamente para cobrir a defasagem da tarifa? A prefeitura precisa abrir os números da planilha com transparência, ouvindo as autoridades no assunto para buscar formas de subsidiar o transporte”, afirmou.
A vereadora também relacionou a política de mobilidade ao desempenho econômico da capital. Para ela, o transporte deve ser entendido como um vetor de desenvolvimento, sobretudo em uma cidade com população majoritariamente de baixa renda. Aladilce citou que Salvador segue em posição desfavorável no ranking do PIB entre as capitais brasileiras, quadro que, segundo ela, se mantém desde gestões anteriores.
Trbn
