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Estresse e Ansiedade, encarando a epidemia nas garotas, de Lisa Damour

São Paulo, 24 de outubro de 2019 – Um relatório recente da Associação Americana de Psicologia revelou que a adolescência não pode mais ser considerada uma fase exuberante da vida, repleta de experiências despreocupadas. Hoje, exceto durante as férias, os adolescentes se sentem mais estressados do que os pais; vivenciam, sintomas emocionais e físicos de tensão crônica – como irritabilidade e fadiga –, em níveis que geralmente acometiam somente adultos. O número de adolescentes que relata estar sofrendo de problemas emocionais e ansiedade está aumentando. Esse é o tema do livro Estresse e Ansiedade: encarando a epidemia nas garotas, de Lisa Damour, PhD em Psicologia e colunista do The New York Times. No Brasil, a obra será publicada pela Primavera Editorial.

“Alguma coisa mudou. A ansiedade sempre fez parte da vida e do crescimento, mas nos últimos anos, sobretudo para as jovens, parece ter saído do controle. Sou psicóloga há mais de duas décadas e ao longo deste período tenho observado um aumento de tensão nas garotas, tanto no meu consultório quanto em minhas pesquisas. Tenho conhecimento das crescentes pressões sentidas pelas garotas, porque passo parte da semana em uma escola para meninas em minha comunidade e viajo para conversar com grupos de alunas nos Estados Unidos e no mundo inteiro”, afirma a autora.

Estresse e Ansiedade, encarando a epidemia nas garotas, de Lisa Damour

Segundo Lisa Damour, o desequilíbrio nos sintomas de estresse entre os gêneros – que se inicia no Ensino Fundamental –, não se encerra com a formatura no Ensino Médio. A American College Health Association,associação norte-americana para a promoção da saúde no ensino superior, revelou que as universitárias tinham probabilidade 43% maior de relatar sentimentos de ansiedade do que os colegas do sexo masculino. Em comparação com os universitários, elas se sentiam mais exaustas e prostradas; vivenciavam níveis mais altos de estresse generalizado. “Quando profissionais de saúde mental ouvem e leem estatísticas como estas, entram em estado de alerta. A partir daí, costumamos adotar uma postura apropriadamente cética e conjecturamos se de fato tem ocorrido uma mudança drástica no número de garotas que se sentem levadas a seus limites, ou se apenas estamos nos tornando melhores na detecção de problemas que sempre estiveram presentes”, salienta. Colunista do The New York Times e colaboradora regular da CBS News, a especialista percorre os Estados Unidos com palestras nas quais alerta pais e educadores para a epidemia de ansiedade e estresse que tem acometido, sobretudo as meninas.

Segundo Lu Magalhães, presidente da Primavera Editorial, o livro é um guia para refletir, discutir e encarar o crescente aumento da ansiedade e estresse entre as jovens meninas. “O livro mostra que a incidência de ansiedade e estresse aumentou significativamente entre adolescentes de ambos gêneros, mas os estudos têm apontado que existe maior predominância entre meninas. Essa é, inclusive, uma ocorrência global”, afirma.

Baseada nas experiências como psicóloga clínica e especialista em desenvolvimento de adolescentes, a PhD e autora de Estresse e Ansiedade: Encarando a epidemia nas garotas, apresenta soluções práticas – apoiadas em pesquisas e em uma linguagem acessível – para abordar assuntos que podem ser causadores do estresse e ansiedade entre as garotas. Divido em cinco grandes áreas – Lidando com o estresse e a ansiedadeGarotas em casaGarotas com garotasGarotas com garotosGarotas na escola; e Garotas em nossa cultura –, a obra é destinada a pais, familiares, responsáveis e educadores. A proposta é fornecer insumos suficientes para que adultos consigam refletir e conversar, de igual para igual, com meninas que estão vivenciando o desafio de lidar com quadros de ansiedade e estresse. 

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