
Em uma cerimônia marcada por fortes emoções, reencontros e o reforço de compromissos históricos, foi assinado nesta semana o 4º Termo Aditivo do Programa de Fiscalização Preventiva Integrada (FPI). O evento, realizado no auditório do Ministério Público da Bahia (MPBA), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), reuniu representantes de diversas esferas do setor público, universidades, organizações da sociedade civil e parceiros institucionais.
A assinatura do aditivo representa mais do que um compromisso formal: simboliza a união de forças em prol da defesa do Rio São Francisco, suas bacias hidrográficas e os povos que delas dependem. Durante o evento, 21 novos parceiros foram integrados ao programa, somando-se aos já consolidados para formar um total de 54 instituições parceiras apenas na Bahia e 95 em todo o país.
Uma história de proteção e transformação
Desde sua criação na Bahia, em 2002, a FPI cresceu de maneira significativa. O que começou com 12 parceiros locais, hoje se tornou um programa interestadual com presença em Minas Gerais, Sergipe, Pernambuco, Alagoas, e com previsão de expansão para Goiás e Distrito Federal. Ao todo, já foram realizadas 78 etapas de campo, em uma trajetória marcada por ações integradas de fiscalização, educação socioambiental e combate a crimes ambientais.
Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi a exibição de um minidocumentário sobre a bugio “Chica”, resgatada em uma das etapas do programa. O filme, que mostra desde o resgate até sua reintegração gradual à natureza na Área de Proteção Ambiental (APA) de Boqueirão da Onça, tocou profundamente os presentes, simbolizando o impacto positivo do programa também na fauna silvestre.
Educação, sustentabilidade e justiça socioambiental
O novo aditivo marca uma ampliação significativa do escopo da FPI. Instituições de ensino superior como UFBA, UFOB, UFRB, UNEB e UNIVASF agora integram oficialmente a iniciativa, contribuindo com conhecimento técnico e científico.
Outros órgãos recém-integrados incluem a Defensoria Pública da União (DPU), Defensoria Pública da Bahia (DPBA), FUNAI, ICMBio, IPHAN, Conselhos profissionais (CRQ, CFQ, CRT), o Instituto HORI, entre outros.
O Governo do Estado da Bahia também reforçou seu compromisso, incorporando novas secretarias e órgãos ao programa, como a SIHS, SJDH, SEADES, SEPROMI e a CERB.
Lançamento de livro e celebração cultural
A cerimônia teve seu ponto alto com o lançamento do livro “Em busca da justiça socioambiental na bacia do Rio São Francisco”, escrito pela promotora de Justiça e coordenadora geral da FPI, Luciana Khoury. A obra retrata 25 anos de atuação do Ministério Público e 22 anos da FPI, com foco na vivência junto às comunidades tradicionais e no compromisso com a justiça socioambiental.
“Esse livro é dedicado aos povos e comunidades tradicionais, que são os primeiros guardiões do Velho Chico”, declarou Luciana Khoury, emocionada.
O evento foi encerrado com uma apresentação musical de Roberto Malvezzi (Gogó) e Nilton Freitas, que interpretaram à capela a canção “Boato Ribeirinho”, composta por Targino Gondim e parte do álbum Belo Chico. A música, uma verdadeira ode ao São Francisco, foi entoada em coro pelo público, selando com arte e afeto mais um capítulo da história da FPI.
