CidadesPolíticaSemiárido Nordeste II

“Onde havia cemitérios de crianças que não chegavam a completar um ano de idade, hoje as pessoas pedem universidade federal”, diz Jerônimo em Ribeira do Pombal

Há cerca de quatro décadas, a imagem do Semiárido Nordeste II era marcada por açudes secos, animais mortos e cemitérios infantis provocados pela alta mortalidade de crianças antes de completar um ano de idade, devido à falta de políticas públicas de um governo que durou meio século no poder. Diante da plenária lotada do Programa de Governo Participativo (PGP), em Ribeira do Pombal, neste domingo (5), o governador Jerônimo Rodrigues resgatou essa memória e defendeu uma nova etapa para o território: a conquista de uma universidade federal.

Ao lado dos senadores Jaques Wagner e Otto Alencar, prefeitos, parlamentares e representantes da sociedade civil, Jerônimo afirmou que a educação é o principal instrumento de transformação da região e relembrou as dificuldades enfrentadas pela população sertaneja nas últimas décadas. A plenária reuniu lideranças dos 18 municípios do território para consolidar propostas que irão compor o programa de governo participativo.

“Botaram na nossa cabeça que nós éramos pobres, que nós, nordestinos, não tínhamos direito de sonhar. O máximo que nós sonhávamos era um prato de comida. Hoje, quando um povo tem escola, quando um povo tem universidade, é um povo que pensa, evolui e cresce. Por isso, temos que escrever no programa de governo o sonho de uma Universidade Federal do Nordeste e lutar para torná-lo realidade”, afirmou o governador. Em outro momento do discurso, Jerônimo resgatou a memória da região marcada pela seca extrema e pela ausência de políticas públicas. “A imagem desse território era de animais mortos, açudes secos e cemitérios de crianças. Nos fizeram acreditar que a pobreza era vontade de Deus. Mas Deus não quer seus filhos na miséria”, disse.

As manifestações da sociedade civil reforçaram a defesa da continuidade das políticas públicas e da ampliação dos investimentos na região. Representando a juventude, Uelinton Jorge afirmou que sua trajetória foi transformada pelos programas sociais e educacionais implantados nos governos do PT. “Nós temos pressa. Pressa de água encanada, de educação de qualidade e da nossa Universidade Federal. Se eles tiveram acesso, por que nós não podemos ter? Nós queremos mais escolas, mais hospitais e mais oportunidades para o nosso povo”, declarou. Já a representante dos movimentos sociais, Marta Araújo, destacou que o território passou a participar da construção das políticas públicas. “O PGP é a oportunidade de reafirmar o que já conquistamos e propor novos desafios. Nós avançamos muito, mas sabemos que ainda podemos avançar mais”, afirmou.

As propostas discutidas dialogam com as prioridades já apontadas para o território, como ampliação do acesso à água, fortalecimento da agricultura familiar, expansão da saúde regional, investimentos em educação, infraestrutura e saneamento. O governo estadual contabiliza mais R$ 1,3 bilhões em ações entregues e em andamento no Semiárido Nordeste II entre 2023 e março de 2026.

Magno Bastos

Fez Rádio e TV, Pedagogia é Especialista em Direito Educacional, Cronista Esportivo, Mestre de Cerimônia Locutor, Repórter, Apresentador e Produtor

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