Bahia

Bahia comemora com Ano Anísio Teixeira os 120 anos do Caetitenense

Nascido em 12 de julho de 1900, em Caetité (BA), o educador Anísio Teixeira dedicou a sua vida a educação pública.

Pioneirismo

Anísio Spínola Teixeira, nas décadas de 1920 e 1930, difundiu as ideias do movimento denominado ‘Escola Nova’, de 1932, que defendia a universalização da escola pública, gratuita e sem vínculo com nenhuma religião (na época, a Igreja Católica tinha presença marcante no ensino). De 1924 a 1928, conduziu a gestão de governo baiano para a educação. Entre 1947 e 1950, como secretário de Educação e de Saúde, protagonizou a construção do Centro Popular de Educação Carneiro Ribeiro, a Escola Parque, em Salvador. A escola fez parte do projeto que consolidou a Educação Integral na pedagogia brasileira.

Teixeira foi pioneiro na implantação de escolas públicas de todos os níveis e propunha que a rede deveria ser de tempo integral. Defendia a municipalização do ensino e que as escolas se responsabilizassem pela promoção de cidadania e saúde. Em 1951, assumiu a direção da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes), agência federal de apoio à pesquisa. Em 1952, tornou-se diretor do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). As pesquisas ganharam grande importância, tanto que seu nome passou a ser agregado ao da instituição.

Ditadura em ação

No dia 9 de abril de 1964, então reitor da Universidade de Brasília (UnB), Anísio Teixeira, o vice-reitor Almir de Castro, os professores e os funcionários foram vítimas de uma operação do Exército e da Polícia Militar de Minas Gerais, que tomaram de assalto o campus. Os policiais procuraram armas. prenderam professores e estudantes. Anísio foi demitido de seu posto (outras invasões ocorreram em 1965 e 1968). A ditadura militar constrangeu a UnB e quebrou, como disse Darcy Ribeiro, uma das coisas mais importantes que Anísio fizera no país: o centro brasileiro e os centros regionais de pesquisa.

A violência não venceu suas denúncias contra o projeto ditatorial de privação da educação, que ganha novo fôlego no atual governo. Com base em laudos técnicos, exames cadavéricos, fotos e relatos, o escritor João Augusto de Lima Rocha, professor da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (Ufba), chegou à conclusão de que Anísio Teixeira foi assassinado em 1971 e não sofreu um acidente, como diz a versão oficial do regime militar. O relatório traz provas de que Anísio foi morto e depois levado para o fosso do elevador de um prédio no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro – na versão do regime militar, ele caiu acidentalmente no fosso do elevador. Segundo o laudo oficial, a causa da morte de Anísio foi resultado do impacto sobre o lado esquerdo do crânio, que provocou um esmagamento ósseo. Os óculos usados pelo educador, mesmo com o impacto tão forte na cabeça, permaneceram intactos e foram “suavemente depositados sobre uma das vigas de suporte do elevador”, conforme o relatório. “Considero que somente a última constatação seja suficiente para desfazer a versão oficial de que Anísio morreu em consequência de queda num fosso de elevador. Verifica-se que é absolutamente incompatível com as leis do movimento, o fato de os óculos ficarem intactos e na posição em que foram encontrados, após a suposta queda”, disse Rocha.

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