
Governadores dos 27 estados brasileiros, presidentes da Câmara, Senado, Supremo Tribunal Federal (STF), União Nacional dos Prefeitos, ministros e lideranças parlamentares, se uniram ao presidente Lula (PT) no final do dia desta segunda-feira, 9, para reafirmar a defesa da democracia e repudiar os atos golpistas registrados em Brasília no domingo.
Todos destacaram a gravidade das cenas presenciadas pelo mundo e manifestaram uma postura intransigente pela restauração da ordem pública, respeito às instituições e punição implacável aos vândalos e, principalmente, seus líderes e financiadores. Após a reunião, todos seguiram numa caminhada simbólica em direção ao STF.
O presidente Lula lembrou que a última vez que os 27 governadores se reuniram em Brasília foi em 2007, para a discussão de uma proposta de reforma tributária que até hoje não foi apreciada pelo Congresso. Ele lembrou que, durante a campanha, prometeu reunir os governantes dos estados para eleger projetos prioritários e destacou: “hoje vocês não vieram reivindicar nada, vieram prestar solidariedade ao país e à democracia”.
A ministra Rosa Weber, presidente do STF, mostrou resiliência e, apesar ter sido “duramente atacado”, garantiu que o prédio será recuperdo e que, no dia 1º de fevereiro as atividades atividades serão retomadas. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), destacou a atuação em sintonia com os demais estados para identificar e responsabilizar os participantes dos atos. Para ele, “a ruptura da ordem democrática é muito pior que qualquer mal que um governo possa fazer”.
Adversário político do presidente Lula, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) falou da importância de estar presente em solidariedade aos poderes e saudou a iniciativa da presidente Rosa Weber de garantir a retomada das atividades no STF.
Fátima Bezerra (PT), governadiora do Rio Grande do Norte, disse que “foi muito doloroso pra nós que sabemos quanto custou essa democracia, ver as cenas de ontem”, referindo-se ao vandalismo cometido no domingo. “Esses atos não podem ficar impunes. São atos golpistas e terroristas. Não vamos abrir mão do Brasil que nós merecemnos e precisamos”, disse a governadora.
Celina Leão (PP), governadora interina que substitui o afastado Ibaneis Rocha (MDB) no governo do Distrito Federal (DF) disse que hoje é um “dia de luto na história da democracia”. Ela defendeu o governador afastado pelo STF e atribuiu as falhas na segurança a “informações equivocadas”.
O prefeito de Aracaju (SE), Edvaldo Nogueira (PDT), presixente da União Nacional de Prefeitos, também esteve presente e repudiou a destruição de obras de arte dio Palácio do Planalto, em especial a tela de Di Cavalcanti, que foi esfaqueada.
Augusto Aras, Procurador Geral da República, destacou que nos últimos dois anos vinha monitorando os atos antidemocráticos e “apagando pequenos incêndios”, e defendeu tanto a reparação de danos quanto penas restritivas de liberdade.
O ministro da Justiça, Flávio Dino, lembrou que a democracia é uma avenida onde se pode transitar “mais à direita ou à esquerda, mas todos devem seguir as regras de trânsito”. Dino também saudou a postura das Forças Armadas que, “durante meses ouviram o canto demoníaco do golpismo e nele não embarcaram”.
Arthur Lira (PP), presidente da Câmara, disse que a invasão da casa do povo “machucou demais” e que a “casa do povo está unida em defesa de medidas duras contra os que tentaram deixar a democracia de cócoras no Brasil”.
Veneziano do Rego (MDB), presidente em exercício do Senado, reiterou a posição da Câmara e confirmou que os senadores irão se reunir, mesmo sem portas, em meio aos destroços, para debater e deliberar as ações necessárias. “Nós não nos ajoelharemos”.
O presidente Lula encerrou o encontro lembrando que o ato não tinha pauta de negociação e seu único objetivo era invalidar o resultado das eleições. “Se pudesse roubar na urna eletrônica, um metalúrgico quase analfabeto não seria presidente da República três vezes”, disse o presidente.
Lula lembrou das pessoas quer foram torturadas por quererem derrubar governos no passado e questionou os comandos militares que permitiram acampamentos na porta dos quartéis com o mesmo propósito. O presidente confirmou a prisão de cerca de 1.500 pessoas e defendceu a manutenção dessas prisões até que os inquéritos sejam concluídos.
“Queremos saber quem pagou. Sou especialista em acampamento e em greve, não é possível ficar tanto tempo sem alguém pra financiar”, disse Lula. “A gente não precisa gostar um do outro, precisa se respeitar.
Eu jamais me incomodaria com passeata contra o governo. O que eles querem é golpe e golpe não vai ter”, sentenciou o Presidente da República.
A Tarde
