Realizada pela esteticista e professora doutora Cristina Buischi Petersen, a monografia “Evolução histórica dos cursos de Cosmetologia e Estética: do conhecimento empírico à formação tecnológica” foi apresentada em 2010 para o curso Didática do Ensino Superior, pós-graduação Lato Sensu do Centro Universitário Barão de Mauá. “O trabalho buscou demonstrar as mudanças sofridas pelos cursos de cosmetologia e estética desde o conhecimento empírico até a formação profissional tecnológica, oferecida pelas instituições de ensino superior no Brasil, bem como as origens da profissão e a profissionalização do profissional esteticista. O objetivo foi fazer uma análise da formação tecnológica em estética, seus desafios e conquistas”, explica a professora doutora Cristina Buischi Petersen.
Esteticista desde 1996, Cristina sentia e ainda sente falta de literatura sobre o tema “história da estética”. “Todas as outras profissões da área de saúde possuem um livro sobre o tema. Então, na época pensei em buscar informações sobre a estética como profissão e encontrei algum conteúdo que poderia ser usado em literatura”, revela.
Segundo ela, fazer a monografia foi um grande desafio, pois não existiam artigos publicados ou livros sobre o tema. “Mas foi muito enriquecedor fazer as buscas de literatura e buscas em sites até ir juntando os pedaços de informações para construir a colcha de retalhos com as informações colocadas todas juntas em uma timeline. Grande parte das informações estavam em vários sites e para um trabalho acadêmico muitas vezes, as informações encontradas não podiam ser usadas pois não estavam em bases indexadas de dados”, diz.
Leitura essencial para o profissional de estética
“Tenho especial apreço pela parte que fala sobre as mulheres pioneiras que impulsionaram a profissionalização da estética e de como a profissão foi evoluindo da consultoria de beleza para cuidados em saúde da pele. Entre elas, Chaja Rubinstein, que mais tarde adotaria o nome de Helena Rubinstein, pioneira na indústria da beleza, ao distribuir seus produtos em lojas de departamento e ao criar a profissão de consultora; Anna Pegova, que descobriu ativos inovadores, criou os cuidados cosméticos e depois técnicas estéticas; Nadia Payot, que desenvolveu uma técnica de massagem facial e abriu a primeira escola de beleza em 1947; além de Elisabeth Arden, Estée Lauder, e não posso deixar de citar Ala Szerman, russa, naturalizada brasileira, que foi pioneira em promover atividades físicas e ensinamentos de como cuidar da pele pela televisão brasileira e criou novos conceitos de tratamentos de beleza e spa”, conta a professora Cristina.
Além disso, a monografia apresenta a origem da estética desde a préhistória, profissionalização, primeiros cursos – do básico ao tecnológico ou superior. “O estudo da história de uma determinada ocupação profissional nasce atrelado à indissociabilidade entre passado-presente-futuro no processo de construção identitária. Construir uma identidade profissional passa pela articulação de variadas dimensões, entre elas, a história. Penso que o modo como tratamos a história de nossa própria ocupação é parte importante do processo de construção de nossa identidade profissional, e como esteticistas, podemos fazer uma reflexão a respeito das nossas práticas. Isso pode garantir nosso lugar no mundo do trabalho com dignidade e respeito”, conclui.
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