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UPB discute padronização de cachês de artistas para festas juninas na Bahia

A União dos Municípios da Bahia (UPB) realizou nesta semana uma reunião para discutir a padronização dos cachês pagos a artistas contratados para festas municipais, especialmente durante o período do São João. A iniciativa surge em meio à grande disparidade de valores pagos pelas prefeituras, o que tem gerado polêmicas e investigações por parte do Ministério Público.

Segundo o presidente da UPB, Wilson Cardoso (PSB), o alinhamento entre os municípios será feito em conjunto com o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e o Ministério Público da Bahia (MPBA). “Estamos alinhando para depois fazer uma reunião com ele, como fizemos no ano passado, com referência dos municípios que estavam em emergência”, disse.

Cardoso afirmou que a entidade busca formas de tabelar os preços das apresentações para evitar distorções. Ele defendeu a medida como forma de preservar os recursos públicos das prefeituras baianas. “Tabelar para evitar situação de ter um município que contratou uma banda por 600 mil reais e o município vizinho contratou essa mesma banda por 400 mil reais. Então, isso não é legal. Não pode acontecer”, declarou.

O prefeito de Riachão do Jacuípe, Carlos Matos (União Brasil), reforçou a necessidade da tabulação e afirmou que o aumento dos cachês tem tornado inviável a realização de grandes eventos. “Fique bem claro que não é nada contra as produtoras e nem tão pouco contra os artistas. O problema que para os municípios se tornou inviável fazer eventos de grande porte, como se fazia no passado, por conta dessa inflação, que parece que criaram um indexador próprio. Parece que não se obedece mais à inflação, não se obedece a nenhum tipo de taxa, nenhum tipo de indexador”, afirmou.

Matos também alertou que a Bahia tem perdido espaço no calendário junino nacional. Segundo ele, “que é o maior mercado de festejos juninos do Brasil”, o estado sofre com a concorrência de outros estados que dispõem de maior poder econômico. “Está havendo uma ‘sangria’, a verdade é essa, por conta do valor que está sendo elevado com os gastos dos festejos juninos. Dos 417 municípios da Bahia, mais de 200 têm festas juninas e se tornou insustentável pagar os valores exorbitantes”, completou.

O prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), afirmou que algumas cidades baianas podem deixar de realizar o São João nos próximos anos. Para ele, o crescimento dos custos já compromete o orçamento municipal. “O São João começou com um custo e hoje está dez vezes mais caro do que há cinco ou seis anos”, disse. “Municípios de pequeno porte não terão condições de pagar. Do embalo que está, daqui a três anos, município nenhum baiano conseguirá ter condições de realizar a festa. Um exemplo é o São João nosso que vai aumentar de R$5 milhões, se for na mesma média que foi ano passado, vai para R$15 milhões. Nem Jequié, que é de médio porte, tem condição”, afirmou.

O prefeito lembrou ainda que, no passado, com R$200 mil era possível realizar uma festa razoável, o que hoje não cobre sequer os custos de passagem de som. Ele defendeu a criação de critérios para conter a inflação dos cachês. “Queremos unir a UPB para criar critérios e preços, em debates com o Tribunal de Contas [TCM] para que a gente desenvolva um preço médio e um limite de contratação da Bahia. Essa pauta precisa ser discutida entre os prefeitos, já que também há uma necessidade dos municípios em diminuírem as despesas”, afirmou.

Já o prefeito de Capim Grosso e presidente da Federação dos Consórcios Públicos da Bahia (FecBahia), Sivaldo Rios (PSD), atribuiu o encarecimento das festas juninas aos artistas nacionais. Segundo ele, os eventos deixaram de priorizar as tradições culturais. “Quem encareceu a festa foi os grandes artistas nacionais, que hoje não se faz mais forró pensando nas tradições. Acabou as chamadas ‘festas fechadas’ na Bahia, porque as prefeituras passaram a concorrer com os grandes empresários”, disse.

Tribuna da Bahia

Magno Bastos

Fez Rádio e TV, Pedagogia é Especialista em Direito Educacional, Cronista Esportivo, Mestre de Cerimônia Locutor, Repórter, Apresentador e Produtor

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