Mais cedo andei pensando no tanto de voltas que minha vida deu, para que eu compreendesse que eu queria, e por tanto querer, “merecia”, a graduação que faço hoje.
Na adolescência eu não me julgava boa para a medicina. Não me achava inteligente o bastante. Eu não me validava em absolutamente nada. Uma auto estima abalada por alguns episódios desagradáveis em minha trajetória escolar.
Naquela época eu não sabia que inteligência não pode, nem deve ser mensurada, muito menos de modo comparativo. E o mais importante, eu não fazia idéia que para escolher a profissão a seguir, não era necessário QI, e sim determinação e sonho.
Isso nunca faltara, nem nos meus piores dias.
Descobri mais tarde, já na faculdade, na minha primeira graduação. Nela recuperei a capacidade de acreditar em mim mesma. Perceber que eu era boa em algo, para um coração desconfiado de si, foi o maior dos presentes.
E quando eu falo que sou boa não significa que eu tiro as melhores notas ou que eu não enfrento dificuldades. Elas, aliás nunca faltaram nesse caminho, e as vezes parecem mesmo intransponíveis.
Mas significa que eu vejo cada dia mais sentido no que faço, me sinto preenchida por uma noção de pertencimento surreal, faço meu melhor, sinto vontade de fazê-lo sempre. E isso compensa os dias difíceis (que não são raros).
O motivo pelo qual eu resolvi falar disso aqui, é para te dizer que se você sonha com algo, vale a pena realizá-lo. Por mais difícil e impossível que possa parecer. Se o sonho nasceu em seu coração, é porque ele pertence a você. E nada, depois que você crê, pode impedi-lo de se tornar real.
