
Em uma semana marcada por debates, trocas de saberes e fortalecimento de políticas públicas para a educação rural, a cidade de Amargosa, conhecida como capital da educação, sedia o 1º Seminário da RedeMulti, com programação realizada na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). O evento, que começou na segunda-feira e segue até hoje, reúne professores, pesquisadores, gestores e movimentos sociais para discutir os desafios e as potencialidades das classes multisseriadas nas escolas do campo.
Entre os participantes de destaque está Edjaldo Vieira, representando o movimento Forma Campo, que atua na formulação de diretrizes, projetos políticos pedagógicos e instrumentos que fortalecem a identidade das escolas do campo em todo o estado da Bahia. Em entrevista à Criativa Online, Edjaldo destacou o caráter histórico do evento e a importância de ampliar o debate para além dos muros das universidades e secretarias.
“Estamos aqui em nome do Forma Campo, da nossa coordenadora professora Arlete Ramos, que vem buscando articulações com instituições como a UNDIME, UESB, UESC, UFRB e UNEB, para garantir que a educação do campo seja pensada com protagonismo, territorialidade e justiça social”, afirmou Edjaldo, que também é doutorando na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).
O trabalho desenvolvido pelo Forma Campo, segundo ele, é coletivo, descentralizado e voltado para atender uma demanda reprimida e histórica da educação do campo, que ainda sofre com a invisibilidade nas políticas educacionais tradicionais. “Temos um GT onde discutimos os projetos políticos pedagógicos das escolas do campo em toda a Bahia. A professora Arlete é uma baluarte desse movimento, com atuação não só na Bahia, mas no Brasil e no mundo”, completou.
Além disso, o seminário também trouxe para o centro do debate temas como as matrizes curriculares específicas, a educação integral no campo, e as diretrizes municipais voltadas para as realidades rurais. O grupo de trabalho GT3, por exemplo, conta com a participação de Igor, educador de Itapetinga, que contribui com discussões fundamentais sobre a ampliação da jornada escolar e a valorização dos territórios na formação dos currículos.
A presença de estudantes, ex-alunos da UFRB e professores em formação também evidencia a força da universidade pública na construção de uma educação comprometida com as especificidades do campo. “Esse movimento tem crescido, mas ainda é preciso avançar muito. Eventos como este são sementes que fortalecem nossa luta coletiva”, finalizou Edjaldo.

