O vereador Cezar Leite, um dos principais apoiadores da legenda na Bahia, ensaia sair como candidato a prefeito pelo PRTB
O Aliança Pelo Brasil, partido a ser criado pelo presidente Jair Bolsonaro, não conseguirá ter a quantidade de assinaturas suficientes para ser homologado a tempo da eleição de 2020. Com isso, os bolsonaristas apoiadores da sigla precisam desde já procurar alternativas para o pleito.
O vereador Cezar Leite, um dos principais apoiadores da legenda na Bahia, ensaia sair como candidato a prefeito pelo PRTB, partido do vice-presidente Hamilton Mourão. O problema é que a sigla também tem outro pré-candidato: o apresentador Celsinho Cotrim, que não pretende retirar o próprio nome tão facilmente. O edil reuniu-se nessa semana com o advogado e gestor público Leandro de Jesus, o presidente do Instituto Antônio Lacerda, Rafael Ribeiro, e o representante do PRTB na Bahia, Rogério Da Luz, para a formação do que chamam de “uma terceira via política”.
Cezar estava engajado na construção do Aliança Pelo Brasil, que não deve ser formado até a eleição de 2020. Ele também tentou uma filiação ao partido Novo, mas, segundo fontes da agremiação, o nome dele não foi aprovado (o partido está fazendo um processo seletivo para definir quem será o candidato a prefeito em Salvador).
A ideia é criar um projeto de direita conservadora e independente para as eleições municipais de 2020 em Salvador. Nos próximos dias, o grupo deverá se reunir com o presidente nacional do PRTB, Levy Fidelix, e com Mourão para apresentar o projeto de candidaturas à Câmara de Vereadores e ao Palácio Thomé de Souza.
Já o vereador Alexandre Aleluia, outro baiano que estava em peregrinação pela Bahia para coletar assinaturas do Aliança, provavelmente terá que se contentar em se manter no DEM. O direitista ensaiava uma saída do ninho carlista desde 2019. Inicialmente, ele chegou a negociar com o PSL, já que mantém boa relação com a presidente estadual Dayane Pimentel. Entretanto, a parlamentar rompeu com o clã Bolsonaro, inviabilizando completamente uma eventual filiação. “Ele já foi para os movimentos em favor do Aliança, então fica complicado de ele vir para o PSL”, revela uma fonte da agremiação, que deve lançar o titular da Semtel, Alberto Pimentel, como principal postulante a uma das vagas na Câmara Municipal de Salvador.
“A permanência de Aleluia já era esperada. Algumas semanas atrás, Eduardo Bolsonaro deu sinais e quase jogou a toalha a cerca do Aliança. Toda a nossa construção foi contando com Alexandre”, ressalta o presidente do DEM em Salvador, Duda Sanches. “Além disso, Alexandre teve 44 mil votos para deputado e é um forte candidato para a Assembleia Legislativa, o que abriria uma vaga para vereador na Câmara. Nesse cenário, faríamos 11 vereadores ao final da legislatura”, completou.
A vereadora Cátia Rodrigues, hoje no PHS, também está praticamente certa no DEM. A informação foi confirmada com fontes da alta cúpula da sigla. A edil bolsonarista está se vendo obrigada a sair da antiga agremiação após a fusão com o Podemos – que no âmbito municipal tem orientação de esquerda e faz oposição ao prefeito ACM Neto.
Cátia vem de uma maré decrescente de votos. O marido dela, pastor Luciano Braga, já teve muitos votos, mas na última campanha para deputado federal teve apenas 9 mil em Salvador. Na avaliação dos articuladores políticos carlistas, pelas contas que qualquer político faça, ela teria metade ou menos que ele agora para vereadora. “É uma candidata que não assusta ninguém que tenha condições de ter seus 6 ou 7 mil votos”, revela uma fonte, em condição de anonimato.
