
A redação da Criativa On Line recebeu, em mais uma edição do Criativa Entrevista, a psicóloga Mariana Barbosa para um bate-papo sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a campanha Abril Azul — movimento dedicado à conscientização sobre o autismo.
A entrevista contou com o apoio do Vale Shopping e do Hospital Coração do Vale.
Durante a conversa, a especialista reforçou que, embora o mês de abril seja um período estratégico para ampliar o debate, o tema precisa ser discutido durante todo o ano.
“É um momento oportuno para intensificar a conscientização, mas é fundamental que esse assunto esteja presente de forma contínua. Quando a sociedade conhece mais sobre o autismo, ela se torna mais inclusiva, mais empática e mais preparada para respeitar as individualidades”, destacou.
O que é o Transtorno do Espectro Autista
Segundo Mariana Barbosa, o TEA é uma condição do neurodesenvolvimento — não uma doença — que afeta a forma como a pessoa percebe, processa e interage com o mundo.
Entre as principais características estão:
- dificuldades na interação social;
- alterações na comunicação;
- comportamentos repetitivos ou restritivos.
A psicóloga explica que o termo “espectro” é utilizado justamente porque o autismo se manifesta de maneiras diferentes em cada indivíduo.
“Cada pessoa com autismo é única. Algumas podem apresentar determinadas características, enquanto outras não. É um transtorno heterogêneo”, pontuou.
Causas e diagnóstico
O autismo é considerado multifatorial, com forte influência genética. De acordo com a especialista, há casos em que não há histórico familiar diagnosticado, mas podem existir traços não identificados em gerações anteriores.
Ela também ressalta que o aumento no número de diagnósticos está diretamente ligado ao maior acesso à informação e à evolução dos estudos na área.
O diagnóstico deve ser feito por uma equipe multiprofissional, envolvendo neuropediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e outros especialistas, além da análise do comportamento da criança em diferentes ambientes, como a escola.
Sinais de alerta na infância
A identificação precoce é fundamental. Entre os sinais que podem indicar a necessidade de investigação estão:
- ausência de contato visual;
- falta de resposta a estímulos sonoros;
- ausência de sorriso social;
- atraso na fala;
- dificuldade de interação.
“Quanto mais cedo a intervenção começa, maiores são as chances de desenvolvimento, aproveitando a neuroplasticidade da criança”, explicou.
Autismo na vida adulta
Mariana Barbosa também destacou que muitos adultos chegam ao consultório sem diagnóstico, frequentemente com queixas de ansiedade, depressão e dificuldades sociais.
“São pessoas que passaram a vida sem entender suas próprias dificuldades. Hoje, com mais informação e instrumentos de avaliação, é possível identificar o autismo mesmo na fase adulta”, afirmou.
Níveis de suporte
O TEA é classificado em níveis de suporte (1, 2 e 3), de acordo com a intensidade das necessidades do indivíduo.
- Nível 1: maior autonomia, mas com dificuldades sociais;
- Nível 2: necessidade de apoio mais significativo;
- Nível 3: maior dependência e, em muitos casos, presença de deficiência intelectual.
A psicóloga ressalta que todos os níveis envolvem desafios e precisam de atenção e cuidado.
Tem cura?
O autismo não tem cura, pois é uma condição do neurodesenvolvimento. No entanto, existem diversas abordagens terapêuticas que ajudam no desenvolvimento de habilidades e na melhoria da qualidade de vida.
Entre elas:
- Análise do Comportamento Aplicada (ABA);
- Terapia Cognitivo-Comportamental;
- Terapia Ocupacional;
- Fonoaudiologia;
- Psicopedagogia.
“O objetivo não é ‘apagar’ a neurodivergência, mas desenvolver habilidades e promover autonomia e qualidade de vida”, destacou.
Dados e conscientização
De acordo com dados citados na entrevista, cerca de 2,4 milhões de brasileiros vivem com autismo. Na Bahia, são aproximadamente 144,9 mil pessoas diagnosticadas, sendo a maioria do sexo masculino.
A campanha Abril Azul reforça a importância da informação como ferramenta essencial para inclusão social e garantia de direitos.
Trajetória profissional
Mariana Barbosa é formada pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), com especializações em áreas como neuropsicologia, terapia cognitivo-comportamental e intervenções baseadas em ABA.
Atualmente, atende crianças, adolescentes e adultos no Hospital Coração do Vale, em Amargosa, além de atuar em outras instituições da região.
Informação gera inclusão
Ao final da entrevista, a psicóloga reforçou a importância de ampliar o conhecimento sobre o autismo para toda a sociedade.
“Informação de qualidade é o caminho para a inclusão. Quando a sociedade entende, ela acolhe, respeita e garante direitos”, concluiu.
Atendimento
Mariana Barbosa realiza atendimentos no Hospital Coração do Vale, em Amargosa, e também no Instituto Fazer o Bem, onde acompanha crianças, adolescentes e adultos, oferecendo suporte especializado na área de saúde mental, com foco no desenvolvimento, avaliação e intervenção em casos relacionados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras demandas psicológicas.

