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Professor da UFRB fala sobre o papel da educação, o desenvolvimento de Amargosa e a importância das Terras Raras

Professor de Química, Jorge Fernando de Menezes, comenta o impacto da UFRB na cidade, os avanços da pesquisa científica e a importância das terras raras na economia nacional.

O professor Jorge Fernando de Menezes, do curso de Química da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), está em Amargosa há 16 anos. Ele chegou à cidade em 2009, aprovado em concurso público, e desde então tem acompanhado de perto as transformações trazidas pela presença da universidade.

“Quando cheguei, nunca tinha ouvido falar de Amargosa. Era uma cidade pequena, conhecida principalmente pelo São João, tranquila e acolhedora. Mas a partir da chegada da UFRB, muita coisa mudou. A universidade trouxe novos olhares, novas ideias e uma forma diferente de pensar. Hoje Amargosa tem uma estrutura melhor, uma juventude mais engajada, novos empreendimentos e mais oportunidades”, conta o professor.

Ele afirma que a presença da universidade transformou não só o cenário educacional, mas também o social e econômico da cidade. “O comércio cresceu, surgiram novas empresas e o número de jovens com acesso ao ensino superior aumentou muito. Muitos alunos são os primeiros da família a cursar uma faculdade, e isso muda completamente a realidade das pessoas. É uma revolução silenciosa que acontece através da educação”, destaca.

Professor Jorge explica que o curso de Química da UFRB é um dos mais estruturados da região. “Temos um corpo docente 100% doutor, com profissionais altamente qualificados e dedicados à pesquisa e ao ensino. É um curso que oferece uma formação sólida e abre muitas possibilidades de atuação profissional. O licenciado em Química não é apenas um professor — ele também é um químico, apto a trabalhar em indústrias, laboratórios, órgãos públicos e institutos de pesquisa”, explica.

Ele lembra com orgulho dos ex-alunos que hoje são mestres, doutores e até professores universitários. “Temos egressos que seguiram a carreira acadêmica e hoje estão ensinando em outras universidades. Isso mostra a força do trabalho que é feito aqui. Sempre digo aos alunos: nunca parem de estudar. O conhecimento é a melhor herança que alguém pode construir para si.”

Com entusiasmo, o professor fala da paixão pela ciência. “A química é vida. Está presente em tudo: na comida que preparamos, no banho que tomamos, no ar que respiramos, no carro que dirigimos. É uma ciência que explica o mundo, que nos ajuda a entender a natureza e a desenvolver tecnologias que melhoram a qualidade de vida das pessoas.”

Foto: Adileuza Barreto – Criativa On Line

Um dos temas de pesquisa que mais desperta seu interesse são as terras raras, um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a tecnologia moderna. “As terras raras estão em tudo o que usamos hoje: celulares, televisores, chips, baterias de carros elétricos, turbinas eólicas, satélites, equipamentos médicos e sistemas de energia limpa. São chamadas de ‘raras’ não porque sejam escassas, mas porque estão dispersas na crosta terrestre, o que dificulta a extração e o processamento”, explica.

Ele lembra que o Brasil é o segundo país do mundo em reservas de terras raras, atrás apenas da China, e que a Bahia tem um papel estratégico nesse cenário, com formações geológicas riquíssimas em regiões como Jequié, Santa Inês, Maracás e o Vale do Jiquiriçá. “Temos um potencial gigantesco, mas ainda exportamos matéria-prima bruta e importamos os produtos industrializados. É preciso investir em pesquisa, tecnologia e inovação para transformar esse potencial em desenvolvimento sustentável. O desafio é unir ciência, indústria e políticas públicas para que o país se beneficie desse recurso de forma inteligente e responsável.”

Além do trabalho com terras raras, o professor também se orgulha de um projeto desenvolvido na UFRB que resultou em uma tecnologia patenteada: um marcador químico para identificar adulterações em combustíveis. “Criamos um marcador que permite detectar se a gasolina foi adulterada com excesso de etanol, metanol ou água. É uma ferramenta simples e eficaz, que auxilia a fiscalização e protege o consumidor. Essa é a prova de que a ciência feita aqui, no Recôncavo, tem impacto real na sociedade”, explica.

Ao falar sobre o papel das universidades públicas, Jorge Fernando é enfático. “A universidade é o motor do desenvolvimento. Cada projeto, cada bolsa de pesquisa, cada professor, movimenta não só o conhecimento, mas também a economia local. A presença da UFRB em Amargosa gerou empregos, fortaleceu o comércio e abriu novos horizontes para a juventude. A educação é uma das maiores formas de transformação social.”

Ele defende que o país precisa valorizar mais a ciência. “O Brasil tem potencial para ser uma potência tecnológica, mas precisa acreditar na sua própria capacidade. É necessário investimento contínuo em pesquisa, infraestrutura e formação de pessoas. Quando o governo e a sociedade entendem que o conhecimento é estratégico, o país avança.”

Antes de encerrar a conversa, o professor deixa uma mensagem aos jovens e à comunidade da região:

“Acreditem na educação. Eu vim de longe, fui acolhido por Amargosa e hoje me sinto um cidadão amargosense. A universidade muda vidas, muda cidades, muda destinos. E como costumo dizer: ruim com educação, pior sem ela. O futuro é agora — e ele começa com conhecimento.”

Acompanhe a entrevista completa abaixo:

Ivanildo Bastos

Ivanildo Bastos é comunicador, radialista e locutor, atualmente cursando Jornalismo. Licenciado em Biologia, atua como repórter da Criativa On Line há 22 anos, destacando-se pela experiência, dedicação e compromisso com a informação de qualidade.

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