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Prematuridade atinge cerca de 340 mil bebês por ano no Brasil

Por Juliana Magalhães - Neuropediatra

Profissional alerta sobre cuidados com bebês prematuros

A discussão sobre nascimentos prematuridade ganha destaque em novembro. O próximo domingo (17) é marcado como Dia Mundial da Prematuridade, criado para chamar a atenção para o problema que atinge 15 milhões de crianças todos os anos ao redor do mundo. Ainda não se conhece todas as causas que levam ao parto prematuro e há casos em que não se consegue associá-lo a uma causa específica. O relatório Born Too Soon (a tradução pode ganhar a forma de “Nascido Cedo Demais”) realizado pela ONG americana March of Dimes aponta que o Brasil é o 10º país no ranking da prematuridade. No Brasil, 340 mil bebês nascem prematuros todos os anos, o que corresponde a 931 por dia, seis bebês prematuros a cada dez minutos, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). O número significa que mais de 12% dos nascimentos no Brasil acontecem antes da gestação completar 37 semanas – o que é considerado parto prematuro.

Juliana Magalhães é Neuropediatra da Singular Medicina de Precisão, e enumera os principais riscos que corre um bebê prematuro: problemas respiratórios, icterícia, retinopatia, alterações auditivas, hemorragia intracraniana, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, problemas motores e dificuldade no desenvolvimento escolar. Cuidados multidisciplinares são essenciais após alta do bebê, alerta a médica: “Depois da alta hospitalar, é importante que o bebê seja acompanhando por pediatra, neuropediatra, fisioterapeuta, e outros profissionais que podem variar de acordo com quadro clínico e complicações que possam ter ocorrido”.

A atenção deve ser especial também sobre o desenvolvimento neuropsicomotor e da aprendizagem da criança. “Se o paciente tiver alguma complicação no período neonatal, pode apresentar crises convulsivas e dificuldades motoras (principalmente para andar). Muitas vezes são necessários exames complementares e medicações, além das terapias de reabilitação”, explica Juliana.

Mulheres que já passaram por um parto prematuro, que estão grávidas de gêmeos ou múltiplos ou com histórias de problemas de colo do útero ou uterinos estão em maior risco de parto prematuro. Outros fatores podem levar ao parto prematuro: ausência do pré-natal, fumo, álcool, drogas, estresse, infecções do trato urinário, sangramento vaginal, diabetes, obesidade, baixo peso, pressão alta ou pré-eclâmpsia, distúrbios de coagulação, algumas anomalias congênitas do bebê, gestações muito próximas (menos de 6 a 9 meses entre o nascimento de um bebê e ficar grávida novamente), gravidez fruto de fertilização in vitro e idade menor de 17 anos e acima de 35.

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