
Uma pesquisa desenvolvida por cientistas de quatro universidades brasileiras resultou no depósito de uma patente para uma nova composição farmacêutica com potencial para o tratamento da dor e de processos inflamatórios. O pedido de patente BR 10 2026 016719 3 foi depositado no dia 3 de julho de 2026 e contempla um complexo de Európio(III) com Lapachol, desenvolvido para atuar como agente antinociceptivo, anti-inflamatório e antioxidante.
A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (UECE/FUNECE), da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Entre os pesquisadores envolvidos está o professor Jorge Fernando Silva de Menezes, da UFRB, além de equipes das demais instituições participantes.
De acordo com o resumo da invenção, a composição farmacêutica utiliza o complexo [Eu(dbm)₃(LAP)], que atua por meio da modulação do canal TRPA1, mecanismo relacionado à percepção da dor e à resposta inflamatória do organismo. Os estudos apontam atividade antinociceptiva específica na fase inflamatória, além de ação anti-inflamatória e antioxidante.
Os pesquisadores destacam ainda que o composto apresentou, em estudos experimentais, eficácia anti-edematogênica superior à do ibuprofeno, além de demonstrar potencial efeito neuroprotetor e hepatoprotetor por reduzir espécies reativas de oxigênio. Estudos computacionais também indicaram alta afinidade do complexo por alvos relacionados ao controle da dor e um perfil farmacocinético favorável, com boa permeabilidade em membranas biológicas e potencial para administração por via oral.
Segundo os responsáveis pela pesquisa, o objetivo da patente é desenvolver uma composição farmacêutica inovadora para o tratamento da dor e da inflamação, contribuindo para o avanço da química medicinal e da farmacologia. O depósito da patente representa um importante passo na proteção da propriedade intelectual da tecnologia e poderá abrir caminho para futuras pesquisas e, posteriormente, para estudos clínicos que avaliem sua eficácia e segurança em seres humanos.
