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Mônica Molina destaca que “é hora do Brasil reconhecer as escolas multisseriadas como espaços legítimos de formação”

O Portal Criativo On Line segue sua cobertura especial direto da cidade de Amargosa, sede da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), considerada por muitos a capital da educação do mundo. É aqui que acontece o Primeiro Seminário da Rede Multi, um marco na história da educação do campo no Brasil, que lança oficialmente para o mundo uma rede que já vinha sendo articulada virtualmente.

Entre os destaques da programação, o portal conversou com a professora Mônica Molina, uma das principais referências nacionais em educação do campo e integrante do Fórum Nacional da Educação do Campo (FANEC).

“Esse evento é historicamente muito importante. O que estamos presenciando aqui é um momento simbólico e concreto de transformação. As escolas multisseriadas, por muito tempo invisibilizadas pelo Estado, começam agora a ganhar o reconhecimento que merecem”, afirmou.

Um cenário desafiador e urgente

A professora trouxe dados contundentes: hoje, o Brasil conta com cerca de 48 mil escolas do campo, das quais aproximadamente 58% são organizadas em classes multisseriadas, ou seja, mais de 28 mil instituições nessa modalidade, espalhadas pelos territórios rurais, das águas e das florestas.

“Infelizmente, historicamente o Estado brasileiro não olhou com o devido cuidado para essas escolas. Agora, com o relançamento do PronaCampo, um novo eixo de políticas públicas está sendo construído para essas instituições, o que representa um avanço significativo”, destacou Molina.

Entre os pontos centrais dessas políticas, a professora mencionou a urgência de garantir:

  • Formação docente específica para lidar com a heterogeneidade das salas multisseriadas;
  • Investimentos em infraestrutura e materiais pedagógicos adequados;
  • Vinculação das escolas ao território, respeitando a identidade e cultura das comunidades rurais;
  • Instrumentos de avaliação diferenciados e sensíveis à realidade do campo.

O campo como sujeito de direito

Molina destacou que a luta pela educação do campo vai além da construção de novas políticas: envolve a desconstrução de uma história de exclusão. “Estamos falando de populações que foram, por séculos, tratadas como invisíveis. Garantir a educação com qualidade é reconhecer esses sujeitos – povos do campo, das águas e das florestas – como cidadãos plenos de direito.”

Ela também ressaltou a importância de repensar o atendimento às crianças e jovens do campo que estudam em escolas urbanas. “Essas escolas também precisam revisar seus currículos, suas práticas, para acolher os saberes, as vivências e a cultura dos estudantes do campo.”

Educação do campo no novo Plano Nacional de Educação

Um dos maiores avanços celebrados por Mônica Molina é a inclusão da educação do campo, das águas e das florestas no novo Plano Nacional de Educação (PNE), em construção.

“É a primeira vez que conseguimos inserir um objetivo específico sobre esse tema no PNE. O Objetivo 8 trata justamente da garantia de acesso, permanência e qualidade da educação para esses povos. Isso é histórico.”

Magno Bastos

Fez Rádio e TV, Pedagogia é Especialista em Direito Educacional, Cronista Esportivo, Mestre de Cerimônia Locutor, Repórter, Apresentador e Produtor

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