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Livro infanto-juvenil mostra como lidar com perda de ente querido

A Tarde

Eliana Oubiña ja começou a escrever mais dois livros

A administradora e empresária Eliana Oubiña perdeu o pai, José Oubiña Trigo, há quatro anos. Para proteger seu filho, Lorenzo, na época com quatro anos, inventou uma história poética  de que o avô do menino teria virado uma estrelinha no céu.

Só que a “mentirinha” não deu muito certo e Lorenzo, que era apegado ao avô, começou a mudar o comportamento dele. Chamada pela escola do filho, ela entendeu o que estava se passando e que a abordagem tinha que ser outra.

Nascia assim uma escritora que, quatro anos após o falecimento do seu pai, publica o livro infanto-juvenil Xiii… O que era mesmo?, via editora portuguesa Chiado, com o objetivo de “instruir mães, pais e educadores sobre a importância de tratar de assuntos delicados com as  crianças como a morte de alguém querido ou outros  problemas familiares”. 

Belas ilustrações

A obra, que traz belas ilustrações assinadas por  Marcelo Cardinal, conta a história da personagem Laurinha, que, achando que  o seu avô faleceu, fica distraída, chega a dizer nomes feios e é até um pouco bravinha com os amigos. No final, entretanto, ele, que estava doente, volta para casa

“A narrativa é trazida de forma leve e com enredo infantil, para que o livro possa ser lido para os pequenos”, afirma Liu, que disse que sua preocupação foi acolher a criança que vivencia uma situação de angústia diante da possibilidade da morte de um parente.

O final do livro conta com brincadeiras para estimular o raciocínio e a concentração das crianças, a exemplo de caça-palavras e jogo dos sete erros, além de desenhos para colorir e jogo do encontre a pessoa.

A publicação, que foi lançada no início do mês, está disponível para venda online nas livrarias Flamingo, Travessa, Martins Fonseca e Cultura, ao valor acessível de R$ 27.

Tabu mantido

O livro é bonito, tem um texto agradável, mostra a preocupação dos pais com a filha – quando Laurinha fica diferente e regride, chorando “como um bebezão”, a mãe faz bolo de chocolate, biscoitos amanteigados e dá muito dengo – sem falar que ela é levada ao médico pelos pais.

As ilustrações da história são alegres e divertidas, apesar do tema da criança que sofre com a ideia da morte do avô. A questão é que quando o vovozinho volta do hospital, o tema da morte continua sendo um tabu. Tudo bem, o ente querido de Laurinha deixou a unidade de saúde, mas e aqueles que não retornam? Que realmente morreram?

Liu diz que “não queria pesar as coisas e que preferiu a leveza”, mas, ainda assim, para quem se propôs a falar de temas delicados como a morte, terminou se esquivando.

Em tempos de pandemia e morte pela Covid 19 de tantos idosos e jovens,  algumas famílias terão que contar aos pequenos a verdade e os especialistas recomendam que se isto não ocorrer, a criança acabará percebendo uma situação de tristeza e luto.

A boa nova é que a autora abriu uma editora  e já está escrevendo mais dois livros infanto-juvenis que vão tratar de temas como inclusão, bullying e viver em sociedade, o que deverá contribuir para boas reflexões entre pais e filhos.

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