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Indefinição marca futuro da antiga Rodoviária de Salvador

Desativada na última terça-feira (20) com a transferência definitiva das operações para o novo Terminal Rodoviário de Águas Claras, a antiga Rodoviária de Salvador, localizada na Avenida Antônio Carlos Magalhães (ACM), ainda não tem destino definido pelo Governo do Estado. Em meio à indefinição, urbanistas e arquitetos alertam para a importância de um projeto que priorize a função social do imóvel e dialogue com as comunidades do entorno.

O governo estadual instituiu uma comissão conjunta temporária para preservar, guardar e acompanhar os bens e o imóvel do antigo terminal. A medida, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), tem validade inicial de 12 meses, podendo ser prorrogada, e busca evitar ocupações irregulares, depredações e a deterioração do patrimônio público enquanto não há uma definição sobre o reaproveitamento da área.

A comissão é formada por representantes da Secretaria da Administração (Saeb), da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) e da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba). Entre as atribuições estão o levantamento físico e documental do imóvel, a avaliação do estado de conservação e a fiscalização do espaço. Ao desativar o equipamento, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) confirmou a instalação de uma base da Polícia Militar no local durante o período de transição.

Apesar da autorização concedida pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), em 2021, para a venda do terreno por meio de leilão, o Executivo estadual ainda não definiu os critérios nem o cronograma para a comercialização. Procuradas pela reportagem, Seinfra e Saeb não detalharam os próximos passos. A Tribuna da Bahia apurou que a Saeb está concentrando as respostas sobre o tema, mas a pasta não retornou até o fechamento desta edição.

Especialistas debatem sobre destino do equipamento

Enquanto o governo estadual não define os critérios para a venda, especialistas debatem sobre o destino ideal do equipamento. Para o professor de Urbanismo da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), João Pena, qualquer projeto precisa considerar a escuta das comunidades vizinhas e atender a demandas históricas por infraestrutura, lazer e serviços públicos.

“Estamos falando de um dos pontos mais valorizados e bem conectados de Salvador, onde convergem metrô, BRT e linhas de ônibus, além de uma centralidade comercial e de serviços já consolidada. Qualquer intervenção precisa considerar também a proximidade com bairros populares como Saramandaia e Pernambués, que historicamente carecem de equipamentos públicos e áreas de convivência”, disse. “Esses bairros precisam ser ouvidos. Não é possível implantar um grande projeto sem diálogo com as comunidades do entorno. É uma região que demanda espaços públicos, lazer, cultura e serviços, e isso precisa estar no centro do debate”, acrescenta o urbanista.

Entre as possibilidades, Pena aponta a criação de um complexo cultural e esportivo de caráter metropolitano. “Salvador perdeu há mais de uma década um importante equipamento esportivo com o fechamento do Balbininho. A antiga rodoviária poderia abrigar um centro polisportivo e cultural, de fácil acesso, que atendesse jovens, crianças e adultos de toda a cidade e da Região Metropolitana”, aponta.

Outra alternativa citada pelo professor é a implantação de um grande complexo educacional. “É uma oportunidade rara de reunir, num mesmo espaço, escola técnica, ensino médio, universidade pública e centros de pesquisa. Um polo educacional desse porte poderia se tornar referência no estado”, avalia.

A professora da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Ana Fernandes, também alerta para os riscos de repetir erros do passado. Segundo ela, a antiga rodoviária ajudou a consolidar uma centralidade urbana importante nos anos 1970, mas a retirada de grandes equipamentos públicos sem planejamento pode levar à degradação e ao esvaziamento da região.

Para a arquiteta, a simples venda do terreno ao mercado representa um risco. “Há uma tendência de transformar esses espaços em empreendimentos terciários altamente verticalizados, que reproduzem problemas já existentes, como congestionamento, impermeabilização do solo e exclusão social”, critica. Segundo ela, o desafio é criar uma transição entre a cidade corporativa e os bairros populares vizinhos. A especialista aponta que um plano urbanístico deve anteceder qualquer processo de venda ou licitação. “Trata-se de uma área de enorme relevância social, urbanística e econômica, que não pode ser tratada apenas como ativo imobiliário”, afirma.

Tribuna da Bahia

Magno Bastos

Fez Rádio e TV, Pedagogia é Especialista em Direito Educacional, Cronista Esportivo, Mestre de Cerimônia Locutor, Repórter, Apresentador e Produtor

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