O carnaval deste ano não foi a primeira vez em que o deputado federal Igor Kannário (DEM) se envolveu em polêmica. Em 2017, quando ainda era legislador soteropolitano, o democrata fez um duro ataque contra a Câmara de Vereadores. Em um show no bairro da Liberdade, Kannário afirmou que o “crime organizado” estava dentro do Legislativo soteropolitano. “Vou ser mais direto: dentro da favela tem mais homem do que lá dentro”, disse. “Não agravando a todos, porque existem alguns colegas que são honestos, que são puros, mas que, infelizmente, não têm como fazer nada, porque o bagulho lá dentro já é tudo organizado. O crime organizado está é lá dentro, meu irmão, não é aqui fora não”, declarou.
Na época, parte dos vereadores queria cassar o mandato de Kannário, mas a polêmica não prosperou. No ano seguinte, em 2018, o legislador democrata teve uma postura mais tímida quando seu trio passou pelo circuito Osmar (Campo Grande), mas não deixou de criar tumulto. Ele criticou o fato de o prefeito ACM Neto (DEM) se ausentar dos camarotes quando sua pipoca estava passando pela avenida. “O prefeito fica dando moral à bunda mole, que fica falando mal dele. Estou sentindo a falta do meu prefeito aqui. Bruno (Reis, vice-prefeito), eu falei que, se ele não estivesse aqui, eu ia escaldar tudo”, afirmou. Em nota enviada pela assessoria de comunicação, Kannário disse que se referiu ao governador da Bahia, Rui Costa (PT), quando falou a expressão “bunda mole”.
Em 2019, o já deputado federal polemizou ao aparecer no circuito com um figurino estampando “Comando da Paz” no ombro e nas costas. Na época, a Associação dos Policiais e Bombeiros Militares e seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) informou que iria processá-lo, mas o caso também não prosperou. Desta vez, Kannário provocou confusão ao criticar policiais militares. O governador Rui Costa acionou a Procuradoria Geral do Estado (PGE) para que o órgão adote as medidas legais cabíveis. A PGE entrou com uma representação junto ao Ministério Público da Bahia. “É inaceitável o ato público de desrespeito e agressão contra a Polícia Militar da Bahia registrado no Campo Grande. Acionei a Procuradoria Geral para que o Estado formalize uma representação junto ao Ministério Público da Bahia a respeito deste fato. Medidas cabíveis que estiverem no âmbito do MP precisam ser tomadas em respeito à PM e em defesa da honra de pais e mães de família que fazem parte da corporação”, disse o governador. Em nota enviada pela assessoria, o deputado afirmou que está “completamente tranqüilo”.
“Há diversos vídeos mostrando a ação inadequada de alguns policiais, que não condizem com a maioria da Polícia Militar, não só nesse ano. As imagens falam por si. Reitero meu respeito pela instituição Polícia Militar e tenho certeza de que não teríamos Carnaval sem a corporação, mas ressalto novamente que não vou me calar diante dos excessos. O comportamento equivocado não deve ser normalizado, ao contrário, deve ser criticado, sim, e medidas devem ser tomadas para que não ocorram excessos contra os foliões. Inclusive, elogiei diversas vezes o tratamento de policiais na minha pipoca. E sempre vou elogiar quando o comportamento for correto. Sempre que vejo alguma confusão na minha pipoca, paro o trio e a música para chamar a atenção dos brigões. Agora, ano após ano, vemos casos de excessos contra foliões na pipoca do Kannário. Por que esse comportamento não é explicado? Será que o povo da favela merece ser tratado dessa forma sempre? São perguntas que seguem sem resposta”, declarou.
Presidente nacional do DEM, ACM Neto disse que não irá punir o deputado federal. “Isso não tem nada a ver com questão partidária. Ele, aqui, tem que responder como cantor e como artista. Não tem nada a ver com atividade parlamentar ou política de Igor Kannário. Tem a ver com a sua condição de artista. Uma coisa não tem nada a ver com a outra”, disse, em entrevista coletiva.
