
No caminho do tetra, na Copa de 1994, nos EUA, o Brasil também pegou o adversário de hoje, Camarões, goleando por 3 a 0, ao garantir vaga com uma rodada de antecedência para as oitavas.
A vitória serviu como reforço para credenciar a Seleção ao título, certificando-se o utilitarismo de Parreira e seu método machiaveliano: o jogo é bom se o resultado é a vitória. Basta.
Livrou-se, assim, o escrete de seu próprio fantasma, em uma terapia das sequelas deixadas pelas derrotas em 1982 e 1986, quando uma Seleção associada ao futebol-arte ficara pelo meio do caminho. Mudou o perfil. Jogar bem não era mais tão importante, e sim vencer a partida, sendo o “gol, um detalhe”, nas palavras do treinador.
Sem tomar gol, a seleção era a única do Mundial a vencer seus dois primeiros jogos, embora o placar folgado possa iludir quem pensa ter sido um jogo fácil, pois Camarões só se entregou definitivamente após perder Song, expulso ao agredir Bebeto, aos 18 do segundo tempo. Até então, o Brasil vencia apertado, por 1 a 0, gol de Romário, ao receber lançamento de Dunga. O ‘Peixe’ ganhou na corrida dos zagueiros e tocou com a reconhecida habilidade na saída do goleiro Bell.
O técnico francês Henri Michel, em vez de recompor a defesa de Camarões com a expulsão de seu zagueiro Rigobert Song, hoje treinador da equipe, preferiu partir para o ‘perdido por um, perdido por mil’, e colocou o veterano Roger Milla no lugar de Embe, ganhando os aplausos da parte não-brasileira dos 43 mil torcedores presentes ao Stanford Stadium, em Palo Alto, naquele 25 de junho de 1994.
Márcio Santos logo aproveitou um cruzamento de Jorginho para fazer 2 a 0, e Bebeto ampliou, quase sem ângulo, aproveitando uma sobra de bola depois de dividirem Bell e Romário. Aos 28 minutos do segundo tempo, estava tudo dominado pela Seleção do tetra, jogando com Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Dunga, Raí (Muller) e Zinho (Paulo Sérgio); Bebeto e Romário.
A seguir, o Brasil empataria com a Suécia de 1 a 1, com gol de Romário, e no mata-mata iria enfileirar vitórias emocionantes até celebrar o tetracampeonato.
O velho Milla
Dançarino de lambada, assim comemorava Roger Milla, o jogador mais experiente a fazer um gol em Copa do Mundo, com 42 anos: foi o de honra na goleada de 6 a 1 sofrida por Camarões para a Rússia de Salenko, autor de cinco tentos somente nessa partida. Milla esteve no primeiro mundial de Camarões em 1982, quando a seleção africana derrubou milhares de apostadores da loteria esportiva ao arrancar um empate da Itália, algo impensável até aquela Copa, dada a desigualdade diante dos europeus. Seu auge foi na Copa de 1990, quando marcou quatro gols, um deles roubando a bola do goleiro colombiano Higuita. Camarões parou na Inglaterra, nas quartas.
O jovem Samuel
Samuel Eto’o foi o mais jovem na Copa da França em 1998, ao entrar como titular de Camarões, na derrota para a Itália, por 3 a 0, ainda adolescente, com 17 anos. Começava ali, apesar da derrota, a firmar-se como um talento promissor dos Leões Indomáveis. Já na Copa de 2010, passados 12 anos, confirmavam-se as previsões, tendo a revelação de Camarões conquistado fama e títulos ao ter seu passe disputado por grandes clubes europeus. Ele foi decisivo para a classificação nas Eliminatórias, ao marcar um dos gols na vitória por 2 a 0 sobre Marrocos. Na Àfrica do Sul, Eto’o deixou o seu gol na derrota para a Dinamarca, que acabou com a eliminação camaronesa do torneio.
A Tarde
