
No terceiro dia da tradicional Feira de Caxixis, em Nazaré, o movimento segue intenso e marcado pela valorização da cultura local e pelo fortalecimento do artesanato baiano. A equipe da Criativa On Line esteve presente acompanhando de perto a programação e conversando com expositores que encontram no evento uma vitrine importante para seus trabalhos.
Entre eles, o artesão Miguel, da marca “Príncipe Artesão”, participa pelo segundo ano consecutivo da feira desta vez, integrado ao programa do Artesanato da Bahia. Ele destaca a receptividade do público e a organização do evento como pontos positivos.
“Estou gostando bastante. A comunidade está nos abraçando, e isso faz toda a diferença. A feira está nota 10, principalmente em relação à limpeza e à organização”, afirmou.
Miguel relembra que, no ano passado, atuou como vendedor ambulante na parte externa do evento. Agora, vivendo sua primeira experiência dentro do espaço dedicado ao artesanato, ele percebe um avanço significativo na valorização do seu trabalho.
Especializado em peças de crochê, o artesão também chama atenção por quebrar estigmas. “Hoje eu sou um homem que faz crochê. Antigamente, fui até proibido de praticar por ser visto como ‘coisa de mulher’. Hoje, além de pedreiro, sou artesão e tenho orgulho disso”, contou.
Suas criações incluem peças variadas, como orixás, santos católicos, cactos decorativos, flores e itens utilitários, unindo tradição, religiosidade e criatividade em cada detalhe.
Para Miguel, a Feira de Caxixis vai além da comercialização. “Esse espaço ajuda muito na divulgação do nosso trabalho e no fortalecimento da nossa cultura. É uma oportunidade de crescimento para todos nós artesãos”, destacou.
A tradição e a espiritualidade do candomblé ganham destaque em uma feira de artesanato que vem movimentando a economia local e valorizando saberes ancestrais na Bahia. O evento reúne peças produzidas manualmente, muitas delas carregadas de significado religioso e cultural, como os caxixis instrumentos utilizados em rituais, além de elementos decorativos feitos de barro, frutas artesanais e réplicas de casas de taipa.
Entre os participantes está um babalorixá da nação Quetu, que atua como representante dessa herança cultural. Segundo ele, sua presença na feira vai além da comercialização: trata-se de um trabalho de transmissão de conhecimento e de conexão com uma tradição transcendental. “Não estou aqui apenas com os objetos, mas como intermediário de uma cultura ancestral que se manifesta por meio das artes”, explica.
As peças expostas incluem ilequês, pulseiras, patuás e outros elementos simbólicos ligados à proteção espiritual. Cada item possui um significado específico e, de acordo com o babalorixá, os compradores são orientados sobre a finalidade de cada objeto. “Esses instrumentos oferecem proteção em diferentes contextos, seja no cotidiano, em festas ou no carnaval”, destaca.
Além do valor cultural, a feira também representa uma importante fonte de renda para os artesãos. Muitos deles enfrentaram meses de dificuldades, sem conseguir comercializar seus produtos. Agora, encontram no evento uma oportunidade de retomada econômica. “A feira traz desenvolvimento e permite que essas pessoas voltem a vender e a sustentar suas famílias”, afirma.
O artesanato baiano, segundo os participantes, vai além da estética. Cada peça exige tempo, dedicação e conhecimento, sendo fruto de dias, semanas ou até meses de trabalho. Ainda assim, os organizadores apontam que nem sempre há o reconhecimento adequado por parte do público. “A arte precisa ser valorizada. Muitas vezes, as pessoas não compreendem o esforço e o significado por trás dessas criações”, ressalta.
Presente também na Feira e Caxixis 2026, a Feira AfroBahia trazendo ao público uma proposta inovadora de valorização do empreendedorismo negro e da cultura afro da região. A iniciativa é organizada pela Superintendência de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com o município.
Kadine Bárbara, superintendente responsável pelo projeto, destacou a importância de criar espaços que fortaleçam os empreendedores negros da região: “Nosso objetivo é ajudar esses empreendedores não só a comercializar seus produtos, mas também oferecer oportunidades por meio de políticas públicas ligadas ao empreendedorismo negro”, afirmou.
Entre os destaques das políticas de incentivo estão o Cred Afro, linha de crédito com juros de apenas 1%, e cursos oferecidos pela Escola Virtual do Empreendedor, voltados para capacitação e fortalecimento dos negócios. “Queremos que eles compreendam o valor do que produzem, muitas vezes trabalhos manuais feitos com dedicação, e que percebam que o Estado valoriza isso”, acrescentou Kadine.
A feira também pretende circular por outros 14 municípios da Bahia, priorizando localidades que já realizam grandes festas e eventos culturais. Cidades como Aratuípe e Salvador estão entre as possíveis próximas edições, segundo a organização.
