Segundo dados do TSE – referentes a Jul./2018 (http://www.tse.jus.br/eleitor/estatisticas-de-eleitorado ), aproximadamente 53,4 milhões de eleitores brasileiros tem entre 16 e 34 anos de idade. No Nordeste eles representam 39,5% do eleitorado e na Bahia são 37,6%.
Vale ressaltar que dentre estes, as mulheres são maioria em qualquer dos cenários apresentados.
Quando se observa o grau de instrução do eleitorado, tem-se que aqueles que ainda não completaram o ensino fundamental representam 25,8%, enquanto que apenas 4,96% possuem nível superior completo. Do total de eleitores: 54% estão entre analfabetos e os que não possuem o ensino médio completo, dentre estes ressalta-se que 6,5 milhões de eleitores se declaram analfabetos.
Por outro lado, no que tange à participação política, observa-se que no Brasil o voto tende a ser pessoalizado ao invés de programático.
Aqui, os eleitores votam em pessoas, isto é, agentes políticos cujos discursos se aproximam de um perfil de “consumo político ideológico” do eleitor. Diz-se consumo, pois o eleitor brasileiro compreende o “agente político” como uma mercadoria, cujo valor é mensurado pela capacidade de obtenção de benefícios individuais e, cuja relação de troca é orientada pelo voto individual e da família.
Essa relação instrumental prioriza os fins em detrimento dos meios e esvazia o debate político, enfraquecendo os laços de solidariedade, o fortalecimento do bem comum e o engajamento político.
Neste contexto, o eleitorado que se apresenta para o pleito de 2018 é formado por jovens impacientes e mimados que têm medo de ficar de fora daquilo que está “acontecendo” ou de estar perdendo algo interessante que os outros estão experimentando ou vivendo.
Essas características que circundam parcelas das juventudes estimulam o crescimento da ansiedade e fazem com que as angústias ocasionadas por possíveis frustações orientem as tomadas de decisões, que não necessariamente representam o interesse do indivíduo ou de sua coletividade, mas, aquilo que pode expressar uma opinião da moda, algo que é compartilhado e curtido por uma dada maioria, que neste caso não é quantitativa, mas representativa daquilo que o indivíduo compartilha em suas redes sociais.
A juventude é como o espectador impaciente do cineasta Gérard Mordillat, ela se senta diante da televisão com mais de 250 canais, altera compulsivamente os canais e descobre que não tem nada que lhe interesse para assistir, ainda que disponha de canais específicos de reprodução de filmes e séries com centenas de títulos em distintos gêneros.
Nesse sentido, a juventude como espectadora, não demonstra paciência para sentar e ouvir, falar e refletir acerca de determinados temas ou assuntos.
O tempo é algo efêmero e seu ciclo de existência e de observação torna-se cada vez menor, como consequência, as relações face a face tornam-se instantâneas e voláteis, os diálogos rápidos e as frases ditas, são como mensagens de whatsApp. As horas são vencidas pelos segundos.
Como espectador impaciente, ela, a juventude, transforma-se num consumidor mimado, de tempo integral e insaciável, alguém que a todo tempo é seduzido pelo fetiche continuo das mercadorias disponíveis para o consumo.
A vida cotidiana é o fetiche da política, aquela que seduz esses impacientes e mimados consumidores, e os políticos são as mercadorias, cujos profissionais do marketing político querem vender como algo que o jovem não pode perder ou deixar de curtir, algo que se não consumido gera ansiedade e frustação.
Esta geração em foco é aquela que experimentou nos últimos anos, desde a implantação do plano real, o crescimento no poder de consumo e da qualidade de vida.
Compartilhou não somente acesso a bens e serviços, como também acesso às novas tecnologias. Presenciou a migração para classe média e a redução dos índices de pobreza.
É uma geração que não experimentou a crise, como nos anos 80 e 90 do século XX, e cresceu diante da existência do emprego e das descobertas do Pré-Sal.
Este conjunto do eleitorado cresceu em paralelo ao crescimento das redes sociais e tornou-se apêndice destas redes, e responsável por inúmeras “verdades” compartilhadas e que estão expostas ao toque no plano das telas dos smartphones, onde o conhecimento é substituído pela informação, pela frase de impacto e pelo dito dos influenciadores digitais.
Desta forma está fora ou deixar de experimentar algo que as outras pessoas fazem e demonstram ser gratificantes causa frustação e gera depressão e, neste caso, cria eleitores manipulados, mimados e impacientes.
Mas, se cada político fosse um canal de televisão disponível, o que seria necessário para que o eleitor jovem sintonizasse em um dos canais? Esta questão é norteadora das práticas políticas e das estratégias de venda da mercadoria, candidato, para os eleitores. Essa mesma questão é a que esvazia o sentido da democracia representativa e a importância do voto.
Ela desvia os olhares da população jovem para agendas de interesses daqueles que dominam as estruturas políticas do país. Elas propagam o medo e fomentam o debate público sobre temas como a violência pelo mote da segurança pública, ao tempo em que esvaziam o debate sobre as desigualdades sociais ou as políticas de redistribuição de renda. Elas tapam o sol com a peneira e fazem crer num segundo sol.
Por fim, a juventude que irá as urnas é vítima das relações efêmeras que se estabeleceram nas redes sociais e que se multiplicaram na vida cotidiana dos selfies e likes, como uma necessidade premente para existir e coexistir na sociedade.
As identidades e as distintas formas de reconhecimento se transformaram em fetiches, e os agentes políticos que reivindicam para si essas identidades e reconhecimentos, foram modelados para serem mercadorias, enquanto que o político e a política tornaram-se etérea para a maioria da população.
