Educação

Como incentivar o uso consciente e crítico das redes sociais na escola

Para Maria Fernanda Silva Pinto, professora de filosofia e sociologia do Colégio Anglo Chácara Santo Antônio, é preciso criar projetos em sala de aula que estimulem a construção de cidadãos mais éticos e responsáveis

As novas gerações já estão crescendo imersas no mundo digital. E apesar de estarem familiarizadas com o uso de tecnologias, a maioria dos jovens ainda não consegue exercer uma leitura crítica dos conteúdos que são publicados na internet e diferenciar informações falsas de verdadeiras.

Essa foi a conclusão de um levantamento realizado pela DNPontocom por meio de inteligência artificial, apontando que os jovens são o grupo mais propenso a compartilhar notícias sem checar a fonte das informações. A pesquisa também mostrou que, dentre eles, 7 em cada 10 leem apenas o título das matérias que compartilham em redes sociais.

Para Maria Fernanda Silva Pinto, professora de filosofia e sociologia do Colégio Anglo Chácara Santo Antônio, isso se deve principalmente a modelos de discursos de autoridade, que constroem conteúdos que passam a ser aceitos como verdadeiros, não pela sua capacidade de explicar o mundo, mas pelas relações de poder que expressam. Esse quadro piora com o baixo índice de leitura e à falta de estímulo ao pensamento crítico que acompanha as novas gerações. Nesse sentido, a educadora afirma que as escolas têm o compromisso de incentivar reflexões e promover debates sobre o uso consciente e ético das plataformas digitais para todas as fases da educação.

“Trabalhar fake news em sala de aula é mais do que pedir ao estudante que cheque a fonte da notícia. É permitir o fortalecimento da consciência crítica e o questionamento de valores. É uma discussão sobre ética, muito mais do que sobre tecnologia”, explica.

No Colégio Anglo Chácara Santo Antônio, a professora realizou um projeto especial sobre o tema com as turmas do 2º ano do Ensino Médio. A partir de uma conta coletiva no Instagram, os estudantes foram convidados a alimentar a plataforma com posts sobre fake news e pandemia, pesquisando a veracidade de informações que estavam sendo compartilhadas sobre o vírus. 

Maria Fernanda acredita que essa discussão pode ser incluída de diversas formas no currículo escolar, pensando em adaptações para cada ciclo de aprendizagem. “A escola precisa criar propostas que coloquem o uso da internet em questão, para refletirmos sobre seus limites, sobre nossas escolhas e sobre as ambiguidades que ela nos apresenta. Precisamos criar meios de estimular o bom uso e, também, de preparar os jovens para reconhecerem e se protegerem de novos modos de alienação e violação de seus direitos”, finaliza.

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