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“Com emprego e sem fome”, artigo de Luiz Carlos Motta do Fecomércio

Quando o Brasil conseguirá recuperar os empregos perdidos durante a pandemia? Essa é a pergunta que mais tenho ouvido nas última semanas. Infelizmente essa recuperação depende da combinação de uma série de fatores, muitos deles defendidos pelo movimento sindical, como vacinação para todos, regras para impedir que empresas que recebem subsídios e empréstimos do governo fechem as suas portas de uma hora para outra, como foi o caso da Ford, abertura de linhas de crédito acessíveis para micro e pequenos empresários e o retorno do auxílio emergencial.

As mais recentes projeções da OIT mostram que a maioria dos países experimentará uma recuperação relativamente forte no segundo semestre deste ano. Alguns levantamentos feitos no Brasil apontam nesta direção.  

O cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontou que o Brasil abriu 142.690 vagas de emprego com carteira assinada em 2020. Os números são resultado de 15.166.221 contratações e de 15.023.531 demissões ao longo do último ano.  O levantamento indica saldo positivo no nível de emprego em quatro dos cinco grupos de atividade econômica no acumulado de 2020. E traz uma preocupação. Apenas o setor de serviços recuou.

A taxa de desemprego no Brasil foi de 14,1% no trimestre de setembro a novembro de 2020 e atingiu aproximadamente 14 milhões de pessoas. Os dados são do IBGE a partir da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). A taxa foi a mais alta para esse trimestre desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. Comparando com o trimestre anterior (junho a agosto), o cenário é de estabilidade (14,4%). Já em comparação com o mesmo trimestre de 2019, são 2,9 pontos percentuais a mais (11,2%).

A pesquisa constata um aumento de 4,8% no número de pessoas ocupadas no trimestre encerrado em novembro. Isso significa 3,9 milhões de pessoas a mais no mercado de trabalho em relação ao trimestre anterior. Assim, o nível de ocupação subiu para 48,6% o que pode estar relacionado com o retorno das pessoas ao trabalho durante as fases de flexibilização das restrições e às contratações de final de ano.

Destaco que, ainda segundo o IBGE, o aumento do número de pessoas ocupadas foi mais intenso no comércio: mais 854 mil pessoas passaram a trabalhar no setor, no trimestre setembro/outubro/novembro de 2020. Foi um desempenho importante com reflexos positivos para o trabalho com carteira assinada no setor privado. Mas esses números ainda estão bem longe das necessidades dos trabalhadores, vítimas da crise econômica e da pandemia.

Entre tantas medidas para fazer a economia girar é necessário o imediato retorno do auxílio emergencial. Esperamos que os novos presidentes da Câmara e do Senado e o governo federal tenham a sensibilidade necessária para evitar que, além de ser vítima da pandemia, os trabalhadores sejam, também, vítimas da fome.

*Luiz Carlos Motta é Presidente da Fecomerciários, Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) e Deputado Federal (PL/SP)

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