
O Bispo Emérito de Amargosa, Dom João Nilton, destacou em entrevista à Criativa On Line, o contexto histórico da criação da Diocese de Amargosa, desde a reorganização das dioceses na Bahia até a mobilização da sociedade amargosense, liderada pelo padre Antônio José de Almeida, culminando na oficialização da diocese em 1941.
No início do século XX, todo o estado da Bahia contava com apenas cinco dioceses. A mais antiga era a de Salvador, considerada a primeira diocese do Brasil e detentora do título de Primaz. Com o passar dos anos e o crescimento populacional, surgiu a necessidade de reorganizar a estrutura eclesiástica no interior do estado.
Em 20 de outubro de 1913, o Papa Pio X criou, simultaneamente, três novas dioceses no interior baiano: Barra e Caetité. Bonfim em 1923. Anos depois, em 1933, foi instituída a Diocese de Senhor do Bonfim. Mesmo assim, a Arquidiocese de Salvador continuava com uma extensão territorial muito grande, o que dificultava o acesso às paróquias, tanto no sertão quanto na região do Recôncavo, além de tornar precária a assistência religiosa devido às limitações de transporte da época.
Diante desse cenário, surgiu a proposta de criação de novas dioceses para melhor atender a população. O então arcebispo de Salvador indicou a cidade de Vitória da Conquista como sede de uma nova diocese e deixou em aberto a escolha de outra sede mais próxima ao Recôncavo Baiano, permitindo que paróquias interessadas se candidatassem.
Foi nesse contexto que o padre Antônio José de Almeida tomou a iniciativa de mobilizar a cidade de Amargosa para sediar a nova diocese. Em 1934, ele convocou uma grande reunião, reunindo empresários, comerciantes, autoridades civis, professores, artistas e representantes da sociedade local. O encontro aconteceu na residência de Arnulfo Rebolças, conhecida à época como o Palácio de Arnulfo Rebolças, localizada em frente ao jardim central da cidade.
Da reunião surgiu o compromisso coletivo de lutar pela criação da diocese com sede em Amargosa. A proposta ganhou apoio popular e o pároco comunicou oficialmente ao arcebispo o empenho e o desejo da comunidade. Nenhuma outra paróquia da região se habilitou formalmente, o que fortaleceu ainda mais a candidatura amargosense.
No início de 1935, o arcebispo confirmou Amargosa como sede da sexta diocese do estado da Bahia. A partir daí, começaram os preparativos para estruturar a nova diocese. A população se mobilizou com doações e apoio financeiro, incluindo a cessão de um imóvel que se tornou a residência episcopal, doado por uma senhora viúva, além de outras contribuições que viabilizaram a estrutura inicial.
Um destaque importante nesse processo foi a participação de Benedito José de Almeida, pai do padre Antônio José de Almeida. Fazendeiro e homem de posses, ele deu total apoio ao projeto, contribuindo de forma decisiva para que a criação da diocese se concretizasse de maneira organizada e eficiente.
Como resultado desse esforço coletivo, em maio de 1941 foi oficialmente criada a Diocese de Amargosa, consolidando um marco histórico para a cidade e para toda a região, ampliando o alcance da assistência religiosa e fortalecendo a organização da Igreja Católica no interior da Bahia.
