
A importância do estômago para a existência humana ultrapassa as funções digestivas. O alto nível de complexidade que envolve as atribuições do órgão faz com que a maioria dos pesquisadores o considere como um “segundo cérebro”, afinal ele se comunica com o sistema nervoso central e pode influenciar o desenvolvimento ou não de doenças.
Em síntese, o poder do estômago está atrelado com a existência da microbiota intestinal, formada por microrganismos, especialmente bactérias, que processam os nutrientes dos alimentos e atuam diretamente no sistema imune, humor e até no metabolismo. Diferentes estudos científicos já comprovaram a associação com patologias, processos inflamatórios e saúde de modo geral.
Cientistas indianos realizaram uma pesquisa, publicada na Revista Nature, com o objetivo de avaliar as diferenças entre a microbiota de pessoas magras e obesas. Os resultados apontaram maior presença de grupos bacterianos “ruins” naqueles que tinham obesidade. Durante o sequenciamento dos achados científicos, ficou evidente que os chamados “bacteroides” produzem ácidos graxos (propionato e acetato) que em outros experimentos causaram aumento na gordura do corpo.
Bactérias do bem
Enquanto os efeitos do desequilíbrio da microbiota prejudicam a qualidade de vida, a manutenção saudável do eixo cérebro-intestino-microbiota ajuda a trazer mais bem-estar e eficiência para o sistema gastrointestinal e, ao mesmo tempo, fortalecer as defesas do organismo. Até porque, das trilhões de células que vivem no intestino, 70% pertencem ao sistema imunológico.
Para evitar o crescimento de bactérias ruins e tornar o ambiente fértil para a multiplicação das consideradas “boas” para o organismo, é necessário ter uma mudança de hábitos. Na rotina, deve-se consumir preferencialmente alimentos in natura (verduras, legumes, frutas e folhagens), comidas ricas em fibras e probióticos, como leites fermentados e iogurtes naturais. A redução da ingestão de açúcar, ultraprocessados e medicamentos sem indicação médica também é um passo indispensável, assim como se manter hidratado e praticar atividades físicas.
O equilíbrio da microbiota no intestino permite uma resposta imunológica mais ativa, devido ao aumento da defesa contra agentes patogênicos e à produção assertiva de vitaminas, a partir da qualidade da dieta alimentar. Aliado a esses benefícios, também se tem o pleno funcionamento do organismo e, consequentemente, uma rotina mais saudável.
No sentido de vigilância sobre esse órgão tão importante, deve-se procurar ajuda de uma instituição de saúde, com médicos e equipe de enfermagem atualizada logo que surgirem sintomas de desequilíbrio, como, por exemplo, distúrbios intestinais frequentes, fraqueza e visão turva. E, sempre que possível, buscar auxílio multidisciplinar para que os fatores associados sejam avaliados corretamente.
















