
No segundo dia da tradicional feira em Nazaré, a reportagem da Criativa On Line conversou com Juan, artesão que carrega décadas de história com o evento e reforça a importância cultural e econômica da Feira de Caxixis.
Natural de Maragogipinho, um dos maiores centros cerâmicos da América Latina, Juan contou que sua relação com a feira começou ainda na infância. “Tenho 46 anos e venho desde criança com meus avós e meus pais. A partir dos 17, 18 anos comecei a trazer minhas próprias peças, feitas por mim mesmo”, relatou.
Com quase três décadas de atuação como expositor, ele destaca o papel da feira na valorização dos artesãos: “Aqui a gente é conhecido no Brasil e até fora dele. É uma tradição que se mantém todos os anos e que nos proporciona muitas oportunidades”.
Além da tradição, Juan fez questão de elogiar a organização do evento nesta edição. Segundo ele, houve melhorias significativas na estrutura e no cuidado com os expositores. “Está tudo muito organizado, limpo, o espaço está maravilhoso. A gente se sente valorizado”, afirmou, ressaltando também o apoio recebido pela gestão municipal.
O artesão apresentou ainda algumas de suas peças, todas produzidas manualmente, incluindo cofrinhos em formato de porco, objetos decorativos como peixes e itens para o lar. Parte da produção é feita em parceria com sua esposa, reforçando o caráter familiar da atividade.
A Reportagem também acompanhou de perto uma das etapas mais importantes da produção cerâmica, o acabamento e a pintura das peças, conduzidos principalmente pelas mulheres artesãs.
Emanuela demonstrou o processo de brunimento, etapa responsável pelo polimento das peças ainda em barro. “Se não fizer esse processo, a peça fica áspera. A gente usa uma pedra especial, bem lisa, para dar esse acabamento”, explicou. Após essa fase, as peças são levadas ao sol para secagem e, em seguida, passam pela queima no forno.
Já a artesã Dayane apresentou o processo de pintura tradicional, que dá identidade única às peças vindas de Maragogipinho, um dos maiores polos cerâmicos da América Latina.
Segundo ela, a pintura é feita com materiais naturais, como o tauá (barro vermelho) e a tabatinga (barro branco), aplicados com o chamado “pincel de gato”, que permite traços finos e delicados. “É o toque final da peça. A beleza vem das mãos das mulheres”, destacou.
Com mais de 15 anos de experiência, Dayane também ressaltou o orgulho de dar continuidade a uma tradição familiar. Filha de artesão, ela aprendeu desde cedo a técnica que hoje representa não só cultura, mas também sustento para muitas famílias.
As artesãs enfatizaram ainda a importância econômica da atividade: grande parte da renda de Maragogipinho vem da cerâmica, tornando o ofício essencial para a comunidade.
Além de preservar a tradição, o conhecimento segue sendo transmitido para as novas gerações, que aprendem desde cedo, muitas vezes de forma lúdica, mantendo viva uma herança cultural que atravessa décadas.
A Feira de Caxixis segue como vitrine desse trabalho coletivo, onde cada etapa, do barro bruto ao acabamento final, revela a dedicação e o talento de artesãos e, especialmente, das mulheres que dão vida e beleza às peças.
