
Na letra, na melodia e na voz de Chico Buarque, uma canção de Natal não precisa ter aquele estilo solene de um coral, muito menos a atmosfera melancólica do inverno europeu.
Para Chico, o Natal também pode ser cantado como uma marchinha de Carnaval, de jeito simples, alegre, descontraído.
O músico tinha 23 anos e uma carreira ascendente quando, em 1967, foi contratado pela maior imobiliária de São Paulo, a Clineu Rocha S.A., para compor um jingle natalino.
Na verdade, não exatamente um jingle — que seria uma canção estritamente publicitária, para promover uma marca —, mas uma música sob encomenda que não menciona a empresa, embora fosse utilizada apenas para divulgá-la.
Ele criou, então, Tão Bom Que Foi o Natal, canção que saiu em um compacto que a firma distribuiu como brinde de fim de ano a seus clientes.
Tornou-se uma raridade — e, também, um conflito entre o músico e a empresa.
“Olha a cidade, que linda/ Até parece deserta/ A meninada dormindo/ de janela aberta”, diz a letra de Chico.
“Papai Noel completa toda coleção/ Boneca, bicicleta, bola, bala e balão.”
BBC News Brasil
















