Cidades

A lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim, uma tradição que o tempo não apaga

A lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim é considerada a segunda maior manifestação popular da Bahia, depois do Carnaval. A festa começa com um cortejo comandado por baianas com trajes típicos – turbantes, saias engomadas, braceletes e colares – vestidas de branco, a cor de Oxalá, o deus Yoruba sincretizado na imagem católica do Senhor do Bonfim.

Desde a última sexta-feira de dezembro, o andor de madeira que será usado para conduzir a imagem na procissão está exposto na igreja da Colina Sagrada para amarração das tradicionais fitinhas com os pedidos dos fiéis. Outra tradição é amarrar as fitinhas nas grades do santuário que é visitado o ano inteiro por turistas de todo o mundo.

A lavagem só teve início em 1773, quando os escravizados foram obrigados a lavar a Igreja para a festa do Senhor do Bonfim que era realizada desde 1745 na igreja da Penha. Os adeptos do candomblé adotaram a lavagem como parte da cerimônia das Águas de Oxalá.

A igreja proibiu o ritual no interior do templo e a lavagem se transferiu para as escadarias e o adro. Durante a lavagem, a igreja permanece fechada enquanto cerca de 200 baianas despejam água de cheiro na parte externa da igreja ao som de toques de atabaque e cânticos de caráter afro-religioso. Atualmente o ritual tem aspecto ecumênico.

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