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Marta critica abertura de R$ 15 milhões para publicidade a 30 dias da propaganda eleitoral “Querem vender uma cidade que não existe”

A vereadora Marta Rodrigues (PT) criticou a abertura de um crédito suplementar de R$ 15 milhões para a Secretaria Municipal de Comunicação (Secom), autorizada pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil) por meio de decreto publicado na última sexta-feira (17). A medida foi adotada exatamente 30 dias antes do início da propaganda eleitoral, em 16 de agosto, e representa 44,1% dos sete créditos suplementares abertos na mesma edição do Diário Oficial do Município.

“É um completo desrespeito com Salvador. Enquanto a cidade enfrenta problemas na educação, fecha escolas, segue sem entregar a escola voltada para pessoas com autismo, vê crescer a população em situação de rua e mantém os Centros POP em condições precárias, a Prefeitura destina mais R$ 15 milhões para publicidade. É dinheiro para vender uma cidade que não existe, quando deveria estar sendo investido para melhorar a vida das pessoas.”

Segundo a vereadora, a suplementação ocorre em um momento de forte desgaste da administração municipal. Conforme Marta, além de ter sido publicada às vésperas do período eleitoral, a medida coincide com as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que apuram suspeitas de fraudes em contratos da Prefeitura com prejuízo estimado em R$ 38,3 milhões aos cofres públicos, com os questionamentos sobre a destinação de aproximadamente meio bilhão de reais arrecadados com multas de trânsito e com a polêmica da compra de 24 toneladas de filé de cação para a alimentação escolar.

“Antes de ampliar os gastos com propaganda, a Prefeitura deveria explicar à população os contratos investigados pelo Gaeco, a compra de 24 toneladas de cação para a merenda escolar e onde estão sendo aplicados os recursos das multas. Transparência se faz com prestação de contas, não com publicidade.”

Conforme Marta, essa não é a primeira vez que o mandato questiona os investimentos da Prefeitura em comunicação. Neste ano, a vereadora cobrou esclarecimentos sobre um contrato de quase R$ 31 milhões para comunicação digital e também criticou a destinação de R$ 177 milhões ao programa Salvador Capital da Alegria, por considerar que os recursos deveriam priorizar áreas essenciais.

“Há um padrão nessa gestão. Quando o assunto é publicidade ou marketing, sempre aparece dinheiro. Mas, para educação, assistência social, saneamento, mobilidade e habitação, a Prefeitura alega falta de recursos ou executa apenas parte do orçamento aprovado.”

Segundo a vereadora, os próprios relatórios fiscais da Prefeitura mostram baixa execução orçamentária em áreas estratégicas, reforçando que a gestão prioriza a promoção institucional em vez dos serviços públicos.

“Os números mostram que falta prioridade para aquilo que realmente muda a vida das pessoas. Salvador não precisa de mais propaganda. Precisa de uma gestão que respeite o dinheiro público e entregue resultados para quem vive a cidade todos os dias”, afirmou.

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