
As chamadas terras raras vêm ganhando cada vez mais destaque no cenário internacional por serem consideradas minerais essenciais para o desenvolvimento tecnológico, a transição energética e a indústria de defesa. Embora o nome sugira escassez, esses elementos não são propriamente raros na natureza. O grupo é formado por 17 elementos químicos, entre eles o escândio, o ítrio e os lantanídeos, encontrados em diversos minerais distribuídos pela crosta terrestre.
Esses minerais são fundamentais para a fabricação de equipamentos de alta tecnologia, como motores elétricos, turbinas eólicas, baterias, celulares, computadores, telas eletrônicas, catalisadores industriais, aparelhos de ressonância magnética, drones, sistemas de comunicação e equipamentos militares. Um dos exemplos mais importantes é a liga de ferro, neodímio e boro (Fe-Nd-B), utilizada na produção de ímãs permanentes de alto desempenho presentes em inúmeros dispositivos eletrônicos e industriais.
O Brasil ocupa uma posição privilegiada nesse cenário. Segundo o estudo, o país concentra cerca de 24,7% das reservas mundiais de terras raras, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 49% das reservas globais. Apesar desse enorme potencial, a produção brasileira ainda representa apenas cerca de 0,5% da produção mundial, evidenciando a necessidade de investimentos para ampliar a exploração e o processamento desses recursos estratégicos.
A liderança mundial no setor pertence atualmente à China, que domina praticamente toda a cadeia produtiva, desde a mineração até a fabricação de produtos de alto valor agregado. Esse domínio confere ao país forte influência sobre setores estratégicos da economia mundial, como energias renováveis, indústria eletrônica, telecomunicações e defesa. O Brasil, que já foi referência internacional em tecnologias de separação de terras raras entre as décadas de 1950 e 1960, perdeu espaço ao longo dos anos, mas voltou a investir em projetos voltados ao setor.
Nos últimos anos, novos empreendimentos em estados como Goiás e Minas Gerais passaram a impulsionar a mineração de terras raras no país. Paralelamente, universidades, centros de pesquisa e instituições como o SENAI vêm desenvolvendo tecnologias para produção de ímãs permanentes, reciclagem desses minerais e fortalecimento da cadeia produtiva nacional. O Governo Federal também discute políticas voltadas aos chamados minerais críticos e estratégicos, considerados fundamentais para o futuro da economia brasileira.
Especialistas destacam que o Brasil reúne condições para voltar a ocupar posição de destaque nesse mercado, graças às suas grandes reservas minerais, à capacidade científica instalada e à formação de pesquisadores qualificados. No entanto, apontam que esse potencial somente poderá ser plenamente aproveitado com investimentos contínuos em ciência, tecnologia, inovação e industrialização, permitindo que o país agregue valor às matérias-primas e amplie sua participação na cadeia global de produção de terras raras.
