
Sonhar em desfilar nas passarelas de Paris, Milão, Londres ou Nova York – tidas como o “big four” da indústria da moda – pode parecer distante para muitas jovens, principalmente entre mulheres negras e talentos interioranos. As barreiras locais e culturais, no entanto, foram atravessadas por nove modelos brasileiras que estão nas Fashion Weeks mundo afora, entre elas, as modelos Josefa Santos, Camille Victória e a nova revelação das passarelas internacionais pela Dior, Bruna Louise.
De mulher para mulher, a inspiração para almejar sonhos e espelhar novos talentos surgiu anos atrás, em um encontro que parece ter saído de um ‘conto de fadas’. A empresária à frente da Model Club Agency, Mônica Mota, é o fio condutor desse encontro entre jovens talentos e o mercado internacional da moda – recebendo o título de ‘fada madrinha’ no agenciamento de modelos na Bahia.
Há três décadas à frente do mercado da moda, a empresária lembra quando iniciou o seu sonho de ajudar jovens talentos, ainda no ano de 1992, em uma salinha na Av 7 de Setembro. “O mercado via a moda apenas como estética e lucro, sem olhar humano. Salvador, no Nordeste, parecia um obstáculo quase intransponível frente aos grandes centros do Sul e Sudeste. Foi uma época em que eu mesmo precisei desbravar, abrindo portas para modelos, que hoje chegam às principais passarelas internacionais”, explica.
Desde então, o trabalho desenvolvido pela agência tem contribuído para a formação de novos nomes nas passarelas. Atualmente, cerca de 100 modelos já receberam preparação completa pela Model Club Agency, incluindo Josefa Santos, Camille Victória, Bruna Louise, Agatha Borges, Ana Cardoso, Willany Santana, Bella Gonçalves, Luma Vitoria e Beatriz Conceição, que hoje circulam pelas rotas das fashion weeks e assinam com marcas como Dior, Valentino, Ami Paris e outras.
“Hoje, essas meninas conquistam seus espaços pelo que são e pelo que aprendem. Não é sobre paleta de cores ou apenas aparência; é sobre preparação, disciplina e autoconhecimento. Meu papel vai além de empresária: sou mãe, amiga e mentora, porque grande parte do meu trabalho é com mulheres. Com base, persistência e dedicação, elas aprendem a trilhar o caminho do sucesso”, explica.
No competitivo mercado da moda, muitas jovens iniciam a carreira ainda na adolescência, entre 14 e 15 anos, e precisam conciliar crescimento pessoal com exigências profissionais. Para Mônica, que acompanha cada talento e participa ativamente das descobertas de novas modelos, é necessário desenvolver talentos sem pressão, para que conquistem seus sonhos no ritmo certo.
“Estamos falando de meninas que chegam muito jovens e, ao longo do caminho, se transformam em mulheres. Elas aprendem a trabalhar de forma diferente do que fariam em uma rotina comum e descobrem que é possível alcançar o topo do mercado com suporte, técnica e orientação. Para mim, é muito honroso ocupar um lugar em que posso acompanhar esse processo e ajudar essas jovens a se transformarem em mulheres com sonhos realizados”, conclui.
