
Prefeitos de diversos municípios baianos se reuniram na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), em Salvador, para discutir o futuro do tradicional São João do estado, com foco na criação de um teto de gastos para a contratação de artistas para as festividades de 2026. A principal preocupação dos gestores é o aumento exorbitante, para alguns descabidos e chegando a se configurar como um crime, pagando mais caro com dinheiro público aos artistas que não são do forró.
Na reunião, os prefeitos destacaram a importância de manter o São João como um evento cultural de grande relevância para a Bahia, mas alertaram que a crescente disparada nos custos com atrações artísticas pode comprometer os recursos destinados a áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura. De acordo com os gestores, um teto de gastos ajudaria a balancear a necessidade de promover uma festa de grande porte com a preservação de serviços fundamentais para a população.
Aumento dos Cachês
Os organizadores do São João enfrentam uma realidade difícil: a inflação e a valorização de artistas renomados resultaram em uma escalada nos preços de cachês. Em 2025, por exemplo, alguns contratos chegaram a superar os R$ 1 milhão, especialmente para artistas de renome nacional, o que gerou um impacto significativo nos orçamentos municipais.
“Queremos garantir que o São João continue sendo uma festa popular, de grande envolvimento da população, mas sem que isso prejudique a oferta de serviços básicos à população. O aumento dos cachês é uma preocupação constante. Precisamos encontrar um equilíbrio entre a celebração da cultura e a manutenção das condições essenciais para o bem-estar dos cidadãos”, afirmou o presidente da UPB e prefeito de Jequié, Zé Cocá.
Risco para Outros Setores
O aumento no custo das festividades tem gerado um dilema nos municípios que, mesmo com o crescimento do turismo e do consumo local durante o São João, precisam lidar com orçamentos limitados. Para os prefeitos, a proposta de um teto de gastos é vista como uma medida para assegurar a realização de eventos sem que isso implique em uma drástica redução de investimentos em outras áreas.
“Nós queremos fazer o melhor São João da Bahia, mas queremos o preço justo das bandas para que a contratação não venha comprometer o serviço especial como educação, saúde e infraestrutura no município”, disse Wilson Cardoso, presidente da UPB.
O Impacto na Economia Local
A festa de São João é um dos maiores eventos culturais da Bahia e tem um impacto significativo na economia local, especialmente em municípios do interior. A vinda de turistas e o aumento do consumo geram renda para comerciantes e prestadores de serviços, além de movimentar o setor de transporte e hotelaria.
No entanto, com os custos elevados para a contratação de artistas, alguns gestores temem que o evento perca sua essência e deixe de ser acessível para todas as faixas de público, o que poderia afetar diretamente o turismo e o comércio nas cidades menores.
Próximos Passos
Os prefeitos agora aguardam uma resposta do governo estadual sobre a viabilidade da implementação de um teto de gastos para os contratos artísticos do São João de 2026. Em paralelo, a UPB vai elaborar uma proposta formal para ser apresentada à Secretaria de Cultura do Estado, buscando encontrar soluções que contemplem tanto os interesses dos gestores públicos quanto os dos artistas e do setor cultural.
“Estamos trabalhando para encontrar uma solução que preserve o caráter popular e inclusivo do São João. O objetivo é que todos saiam ganhando: o povo, os artistas e os gestores municipais”, concluiu Zé Cocá.
Enquanto isso, a população baiana segue acompanhando atentamente as negociações, na expectativa de que o maior festejo cultural do estado continue sendo uma grande celebração, sem comprometer a qualidade de vida dos cidadãos.
