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Festa de Iemanjá revela histórias de quem vive no Rio Vermelho

Todo 2 de fevereiro, o Rio Vermelho deixa de ser apenas um bairro de Salvador para se transformar em um grande cenário de fé, cultura e devoção com a tradicional Festa de Iemanjá. Mas, além da celebração religiosa que atrai milhares de pessoas, o bairro guarda curiosidades e histórias que ajudam a entender por que tantos moradores mantêm uma relação afetiva tão forte com o lugar.

Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Rio Vermelho abriga 17.526 moradores e se destaca pelo perfil feminino e envelhecido. As mulheres representam 56,5% da população local, índice acima da média da capital baiana, que já é a cidade mais feminina do Brasil.

Outro dado que chama atenção é o envelhecimento. Quase um em cada quatro moradores tem 60 anos ou mais. “Esse é um comportamento típico de bairros mais antigos e de ocupação consolidada, algo que aparece em toda a cidade, mas se manifesta de forma mais acentuada nesses territórios”, explica a supervisora de Disseminação de Informações do IBGE na Bahia, Mariana Viveiros, em entrevista à Tribuna da Bahia.

Esse perfil aparece no dia a dia de quem vive no bairro há décadas. A publicitária Milena Souza, de 43 anos, mora na casa que pertenceu à mãe e diz que, apesar de já ter vivido na Europa e em outros estados do Brasil, nunca conseguiu se desligar do Rio Vermelho. “Eu sempre volto. A sensação é de morar em uma cidade pequena, onde dá para fazer tudo a pé. Vou à academia, ao mercado, corro na orla. Todo mundo se conhece”, conta.

O modo de morar também revela traços do bairro. Cerca de 70% dos domicílios são apartamentos, e quase um terço é ocupado por apenas uma pessoa. Segundo Mariana Viveiros, esse fenômeno está ligado a dois fatores. “O envelhecimento pesa, mas a redução do tamanho das famílias e a mudança do perfil do bairro, que hoje é mais misto, com serviços e vida noturna, também favorecem o aumento dos domicílios unipessoais”, explica Mariana Viveiros.

Para o advogado aposentado Otávio Menezes, de 71 anos, o Rio Vermelho mantém uma identidade própria apesar das transformações. “Sempre foi um reduto político e cultural. Aqui acontecem festas importantes e a velha guarda

ama morar. Os apartamentos antigos são grandes, bem estruturados, isso conta muito”, diz.

O bairro também figura entre os de maior renda média da capital. De acordo com o IBGE, esse perfil acompanha um padrão observado em bairros litorâneos e mais valorizados. “A renda e a cor se correlacionam fortemente. Onde o custo de morar é mais alto, tende a haver uma renda maior e maior proporção de pessoas brancas”, explica Mariana.

Embora o IBGE não identifique impactos diretos de eventos pontuais, como a Festa de Iemanjá, na dinâmica populacional, a celebração reforça o simbolismo do Rio Vermelho. Entre fé, memória e transformações urbanas, o bairro segue sendo um dos mais emblemáticos de Salvador. 

Tribuna da Bahia

Magno Bastos

Fez Rádio e TV, Pedagogia é Especialista em Direito Educacional, Cronista Esportivo, Mestre de Cerimônia Locutor, Repórter, Apresentador e Produtor

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