
Professores brasileiros perdem, em média, 21% do tempo de aula lidando com questões de disciplina e tentando manter a ordem em sala de aula. Isso significa que, a cada cinco horas de aula, aproximadamente uma hora é dedicada apenas a controlar o comportamento dos alunos, e não ao ensino propriamente dito.
Os dados são da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) 2024, divulgada nesta segunda-feira (6) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O levantamento é realizado a cada cinco anos e, nesta edição, envolveu entrevistas com professores e diretores dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) em 53 países.
Brasil acima da média
De acordo com o estudo, o Brasil apresenta um índice acima da média dos países membros da OCDE, onde o tempo perdido com questões disciplinares gira em torno de 15%. O relatório aponta ainda que houve um aumento de 2 pontos percentuais nesse indicador entre 2018 e 2024, tanto no Brasil quanto no grupo de países da organização.
Segundo especialistas, esse tempo perdido compromete diretamente a qualidade do ensino e reflete desafios estruturais da educação brasileira, como superlotação de salas, falta de apoio pedagógico e ausência de políticas eficazes de convivência escolar.
Impacto na aprendizagem
Além de comprometer o conteúdo programado, a necessidade constante de restabelecer a ordem em sala pode gerar estresse entre os docentes e impactar o clima escolar. A pesquisa também apontou que a percepção de indisciplina é uma das principais causas de insatisfação profissional entre os professores brasileiros.
Em comparação com países como Japão, Estônia e Finlândia — que apresentaram os menores índices de perda de tempo com disciplina —, o Brasil figura entre os últimos colocados nesse aspecto.
Sobre a pesquisa
A Talis 2024 é considerada uma das mais abrangentes avaliações sobre as condições de trabalho e o ambiente escolar em nível global. No Brasil, a pesquisa foi aplicada em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
A OCDE recomenda que os países invistam em formação continuada de professores, melhoria da gestão escolar e estratégias de engajamento dos estudantes como formas de enfrentar os desafios apontados pelo relatório.
