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RedeMulti encerra seminário histórico em Amargosa e reforço à educação do campo, das águas e das florestas

A cidade que já é conhecida por sua forte tradição educacional se reafirmou como a “capital da educação pública no mundo” ao sediar o 1º Seminário da RedeMulti, realizado na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). O evento reuniu docentes, pesquisadores, gestores públicos e representantes de movimentos sociais de todas as regiões do país e até do exterior para discutir caminhos, desafios e conquistas das classes multisseriadas nas escolas do campo, das águas e das florestas.

Na manhã do último dia de atividades, a professora Natasha Janata, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), conversou com a imprensa local e destacou a dimensão histórica do seminário. Com um olhar afiado e sensível à causa, ela resumiu o evento como um ato de visibilidade e valorização de experiências educacionais que, por muito tempo, foram colocadas à margem das políticas públicas.

“Esse seminário tem um significado profundo. Ele traz para o centro do debate experiências históricas que ficaram por muito tempo marginalizadas. É o momento de reconhecer o valor de quem constrói, no dia a dia, essas escolas nos contextos mais desafiadores do país”, afirmou Natasha.

Relatos que emocionam e mobilizam

A professora foi mediadora de uma mesa voltada à apresentação de relatos de experiências de turmas e escolas multisseriadas. As falas vieram de educadoras atuantes em municípios baianos como Jaguarari, Laje e Amargosa, além da cidade de São Mateus, no Espírito Santo. Foram compartilhadas práticas pedagógicas criativas, desafios cotidianos e formas de resistência e cuidado com as infâncias rurais.

“Foi muito emocionante ouvir essas professoras. A dedicação, o compromisso político, a sensibilidade para lidar com a diversidade de ritmos e contextos… É algo singular. E isso mostra que a escola do campo, das águas e das florestas pode e deve ser espaço de qualidade e pertencimento”, comentou.

Natasha reforçou ainda que não há “receita pronta” para a multisseriação. Cada realidade exige soluções construídas coletivamente, com escuta ativa e participação direta dos sujeitos envolvidos: professoras, comunidades, gestores e estudantes.

Educação feita com, e não para, os sujeitos do campo

A trajetória da educação do campo, das águas e das florestas tem como base a construção com os sujeitos, e não apenas “para” eles. Natasha lembrou que essa premissa foi reforçada ao longo de décadas de luta e se mantém como um dos pilares da Rede Multi.

“As práticas devem partir das realidades, das culturas e das necessidades locais. Não se pode falar da escola do campo sem envolver quem vive nela. A gente precisa de políticas pensadas com os sujeitos que estão na ponta e não em gabinetes distantes”, alertou.

Encontros que fortalecem a luta e produzem encantamento

Ao comentar os dias vividos em Amargosa, Natasha ressaltou o encantamento humano e coletivo que o seminário promoveu. Entre reencontros presenciais com colegas antes conhecidos apenas virtualmente e o trabalho em rede com nomes como os professores Fábio Josué e Tessiana Silva, ela destacou a riqueza afetiva e política do encontro.

“Essa convivência nos alimenta. A gente sai daqui fortalecido, com mais vontade de seguir lutando, pesquisando, formando e construindo junto. São mais de 20 anos de luta por uma educação do campo digna, e ver as conquistas ganhando corpo é um alento para todos nós”, celebrou.

Presença do MEC e expectativas para o futuro

Natasha também elogiou a presença da representante do Ministério da Educação (MEC), professora Maria do Socorro, no evento, destacando que a participação do governo federal reforça a urgência de transformar a multisseriação em política pública estruturante, e não apenas emergencial.

“A presença do MEC sinaliza um novo momento para a educação pública no Brasil. Um momento de compromisso com a diversidade, com a equidade e com a escuta ativa daqueles que vivem e constroem essas escolas diariamente”, disse.

Um convite à sociedade: conhecer, apoiar e participar

Encerrando sua fala, a professora da UFSC fez um chamado à sociedade: conhecer mais sobre a Rede Multi e o movimento nacional da educação do campo, das águas e das florestas.

“Convido todos a acompanharem o trabalho da Rede Multi, do FONEC, a conhecerem as histórias que estão sendo contadas em cada canto do Brasil. Nosso país precisa valorizar quem ensina com paixão, com criatividade, com compromisso social. Esses professores e professoras merecem o nosso respeito e o nosso apoio.”

Magno Bastos

Fez Rádio e TV, Pedagogia é Especialista em Direito Educacional, Cronista Esportivo, Mestre de Cerimônia Locutor, Repórter, Apresentador e Produtor

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