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Professora Marilucia Santana celebra protagonismo da educação do campo no 1º Seminário da RedeMulti, na UFRB

A cidade de Amargosa, carinhosamente chamada de “capital da educação no mundo”, sediou um dos eventos mais significativos para a educação do campo no Brasil: o 1º Seminário da Rede Multi, realizado na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Entre os participantes, a professora Marilucia Santana, de Santo Antônio de Jesus, compartilhou sua trajetória como educadora e tutora do Programa Escola da Terra, ressaltando a importância da formação continuada, da valorização docente e da construção coletiva de políticas educacionais voltadas para o campo.

“É uma alegria estar aqui, participando de um momento histórico. O seminário mostra que as coisas estão se materializando. A educação do campo está acontecendo, e a Rede Multi é parte fundamental disso, especialmente ao propor alternativas para o trabalho com classes multisseriadas”, afirmou a professora.

Mari Lúcia destacou o avanço das discussões em nível nacional, com o envolvimento direto de instituições como o Ministério da Educação (MEC) e a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI). Para ela, esse alinhamento fortalece ainda mais o trabalho que já vem sendo desenvolvido por educadores em diversos territórios.

Escola da Terra e o papel da formação construída com os professores

A educadora também falou sobre sua atuação como tutora do Escola da Terra, dentro do município de Santo Antônio de Jesus, a partir da articulação com o programa FormaCampo, coordenado pela professora Arlete Ramos, da UESB, com apoio de universidades como UFRB e UNEB.

“Desde 2022, Santo Antônio aderiu ao Forma Campo, e ao final de 2024 conseguimos integrar o Escola da Terra, uma formação feita para e com os professores do campo. É uma formação construída a partir da escuta, das realidades e das demandas concretas das escolas rurais”, explicou.

Mari Lúcia reforça que o diferencial da proposta está na horizontalidade e no respeito ao protagonismo dos educadores. “Não é uma formação pronta, imposta. É uma construção coletiva, em que o professor participa de todo o processo. Isso muda tudo: promove pertencimento, fortalece as práticas pedagógicas e transforma a escola do campo.”

Segundo ela, os resultados já podem ser observados em sala de aula: professores mais engajados, alunos mais acolhidos, e uma escola mais próxima da comunidade. “Hoje, em Santo Antônio de Jesus, vemos a alegria dos professores em fazer parte dessa história. Eles estão mais preparados para lidar com os desafios e mais conscientes do seu papel transformador.”

Compromisso com o chão da escola

Ao final do bate-papo, a professora fez questão de agradecer aos nomes que têm liderado essa mobilização em todo o estado, como os professores Fábio Jasué e Téciana Vidal, da UFRB, e a professora Arlete Ramos, da UESB.

“São pessoas comprometidas com a educação do campo e com os que vivem nela. Graças a eles, conseguimos levar essa formação até o chão da escola, onde de fato a educação acontece”, afirmou Mari Lúcia.

Com um discurso emocionado e engajado, ela reafirma a necessidade de que as políticas públicas para o campo sejam pensadas “com” e não apenas “para” os sujeitos do campo. “Não dá para falar de nós sem a nossa participação. Esse tem sido o lema, e o Escola da Terra reafirma isso a cada passo.”

Magno Bastos

Fez Rádio e TV, Pedagogia é Especialista em Direito Educacional, Cronista Esportivo, Mestre de Cerimônia Locutor, Repórter, Apresentador e Produtor

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