
Na cidade que por alguns dias se torna a capital da educação no mundo, o Primeiro Seminário da Rede Multi segue reunindo vozes, experiências e compromissos com uma educação pública, democrática e plural. E entre as presenças de destaque está a professora Ivânia Freitas, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), que trouxe importantes reflexões sobre o papel da Redap – Rede Diversidade e Autonomia na Educação Pública nesse movimento coletivo.
“Estar aqui, em Amargosa, nesse primeiro seminário da Rede Multi, é um momento marcante. A Redap é uma rede nacional, com 52 instituições parceiras espalhadas pelas cinco regiões do Brasil. Ela nasceu do enfrentamento às políticas neoliberais que historicamente negaram às pedagogias contra-hegemônicas, como a educação do campo, o espaço que merecem”, afirma Ivânia.
A escola como espaço de transformação
Segundo a professora, a Redap atua de forma incisiva na pesquisa e extensão universitária, propondo alternativas teórico-metodológicas que enxergam a escola como espaço de transformação social. Ao encontrar-se com a Rede Multi voltada às escolas multisseriadas esse trabalho ganha ainda mais força.
“A multisseriação sempre foi tratada como um problema. Agora, estamos dizendo o contrário: essas escolas são espaços de conhecimento, de cultura, de construção coletiva. A Rede Multi chega para somar com a Redap, para nutrir nossas pesquisas com os dados e experiências que estão sendo apresentados aqui”, reforça.
Universidades públicas unidas por uma causa
Ivânia Freitas também destacou a importância da parceria entre universidades públicas, especialmente entre a UNEB e a UFRB, esta última, anfitriã do evento e referência nacional na formação de professores para a educação do campo.
“A UFRB é uma universidade irmã. Tem o primeiro mestrado em Educação do Campo, cursos de licenciatura específicos, professores como Tarsiana, Fábio, Débora, todos comprometidos com uma educação transformadora. Nosso diálogo é fraterno, sem vaidade institucional. É assim que se constrói uma rede de verdade”, pontua.
Na UNEB, o compromisso com os movimentos sociais e a educação do campo se reflete em ações concretas, como o Centro Acadêmico de Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial, que possui uma gestão inovadora com conselho colegiado formado por professores, pesquisadores, fóruns e lideranças dos movimentos sociais. “É uma experiência inédita nas universidades. Trabalhamos juntos, academia e território, com legitimidade e compromisso”, explica Ivânia.
Senhor do Bonfim até Amargosa: a jornada por uma causa
Diretamente de Senhor do Bonfim, no território Piemonte Norte do Itapicuru, Ivânia enfrentou uma longa jornada mais de 10 horas de estrada para estar presente no seminário. Mas, segundo ela, a motivação é maior que qualquer distância.
“É a terceira vez que venho a Amargosa, e venho com alegria dobrada. Estou coordenando o projeto Escola da Terra, trabalhando com oito municípios, e trouxemos dois professores para apresentar relatos de experiência das escolas multisseriadas. Esse seminário é lugar de troca, de visibilidade e de fortalecimento.”

