
A presença feminina no Seminário da Rede Nacional de Pesquisa sobre Escolas Multisseriadas, realizado na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), não passou despercebida. Uma das vozes que se destacaram foi a de Cris Rios, mulher preta, camponesa, Coordenadora do Colegiado Territorial de Desenvolvimento Sustentável do Vale do Jiquiriçá (CODETER) e ligada à Associação Ecológica da Jaqueira.
Atuando atualmente em articulação com o Ministério do Trabalho, Cris ressaltou o papel central das mulheres nos processos de educação e transformação territorial. “Nós temos um território composto por 58% de mulheres. E a UFRB, aqui em Amargosa, cumpre o papel de acolher essas mulheres campesinas, militantes, produtoras e formá-las, mas também permitir que elas formem outras. É uma troca constante”, afirmou.
Mulheres além dos muros da universidade
Durante o evento, também ocorreu a Feira da Economia Solidária, espaço onde mulheres de diversas comunidades apresentaram sua produção artesanal, agrícola e cultural. Para Cris, a feira é um símbolo da formação que vai além da sala de aula “Essas mulheres estão fora dos muros da academia, mas se autoformam aqui, constroem visibilidade, fortalecem a autonomia e mostram que educação do campo também é prática, produção e pertencimento”, completou.
Cris é egressa da UFRB, e sua trajetória reflete o que o seminário se propõe a fortalecer: uma educação do campo crítica, inclusiva e transformadora. “Esse é um lugar de celebração, mas também de desejo. Desejo de que outros espaços sejam construídos a partir dos imaginários dessas mulheres que produzem, educam e resistem. Estamos aqui em grande número, mostrando que a revolução também é feminina, também é preta, também é do campo.”
Educação sem amarras
A fala de Cris ecoa a proposta do evento: pensar que educação do campo se quer para o presente e o futuro. Segundo ela, é preciso romper com os limites impostos e pensar em uma formação “sem amarras”. “A universidade é um ponto de partida, mas a educação do campo precisa estar enraizada na vida real das pessoas, nas práticas, na economia solidária, na ancestralidade e na luta por justiça social.”

