Brasil

Conexões e desafios: como a saúde mental é afetada pelas redes sociais


Os brasileiros gastam, em média, 9 horas e 13 minutos por dia conectados, segundo a pesquisa Digital 2024 Global Overview Report. 

Este é o segundo maior tempo do mundo e representa mais de 1/3 das horas de um dia. É como se, a cada mês, dez dias fossem dedicados apenas às conexões digitais.

Por mais que esse tempo muitas vezes esteja relacionado a tarefas como trabalho e estudo, grande parte é dedicada também às redes sociais, que a cada dia têm mais impacto na saúde das pessoas.

Sentimentos de solidão, baixa autoestima, ansiedade e até depressão são potencializados pelo uso excessivo das redes, que, apesar de promoverem conexões com diferentes pessoas, criam um ambiente descolado da realidade.

Impacto negativo e ansiedade

Conforme o estudo Panorama da Saúde Mental 2024, 45% dos jovens de 15 a 29 anos percebem o impacto negativo das redes sociais em suas vidas.

A pesquisa realizada pelo Instituto Cactus, em parceria com a AtlasIntel, mostra que essas pessoas relacionam diretamente o uso de plataformas com casos de ansiedade.

Além disso, 10% dos entrevistados consideram que os efeitos das conexões são extremamente negativos, sendo que na faixa etária de 16 a 24 anos essa proporção sobe para 15%.

Solidão e depressão

Outro problema identificado é o risco de desenvolver quadros de depressão. Em relação aos jovens que passam menos de 3 horas por dia em redes sociais, aqueles que passam mais tempo nas telas têm 30% mais chance de adoecer.

A depressão é causada por diversos fatores, mas um deles pode ser o sentimento de solidão.

Pode parecer controverso que plataformas criadas para unir pessoas resultem no isolamento, mas a questão é que se conectar digitalmente não cria, obrigatoriamente, vínculos profundos e intimidade.

Segundo estudo realizado na Universidade Baylor, no Texas (EUA) – The Epidemic of Loneliness: A Nine-Year Longitudinal Study of the Impact of Passive and Active Social Media Use on Loneliness (A epidemia da solidão) –, os usuários se sentem sozinhos mesmo quando há interação nas redes.

O uso passivo também causa o sentimento negativo. Aqueles que navegam sem interagir sofrem tanto quanto os que têm engajamento, postam e comentam nas publicações de outras pessoas.

Distorção da realidade

Mais um fator que causa mal-estar nos usuários das redes é a busca por um padrão inalcançável no mundo real.

A felicidade constante, o sucesso diário e a vida harmoniosa mostrados nas redes são apenas trechos de uma vida real que, como todas as outras, têm momentos de tristeza e dificuldades.

O descolamento do que é um recorte bem enquadrado para a foto e o que é real faz com que as pessoas busquem, todos os dias, se encaixar em um padrão inexistente, o que compromete a saúde mental.

Autoestima 

A autoestima também é afetada pelo uso excessivo das plataformas. A necessidade de validação de outras pessoas – às vezes, até desconhecidas – causa um vício no uso das redes.

Se 40% dos jovens escutados pelo Panorama da Saúde Mental 2024 têm o bem-estar abalado pelo número de curtidas e comentários em uma publicação, isso significa que o retorno, quando positivo, cria uma dependência.

Já quando o resultado não é o esperado, aparece a frustração, que pode resultar em episódios de baixa autoestima e outros sentimentos negativos.

Enfrentamento

As pessoas mais velhas, conforme os estudos, sofrem menos com as redes sociais e a pressão advinda delas. 

Talvez por terem se formado e construído grande parte da vida fora do ambiente virtual, esses usuários, de fato, saibam usar as plataformas para se conectar e manter amizades já cultivadas na vida real.

Por isso, é importante ressaltar que as redes sociais têm seus benefícios, como a capacidade de reunir grupos e criar comunidades.

No entanto, é preciso aprender a filtrar e saber identificar o tipo de conteúdo ou interação que causa mal-estar. Para isso, é necessário buscar ajuda médica, seja por meio da psicologia online ou presencial.

Os efeitos negativos podem ser enfrentados para garantir uma vida mais saudável também através do fortalecimento de laços presenciais e físicos e da redução do tempo de uso das redes.

Tirar um tempo com a família, amigos e outras pessoas próximas, evitando o uso constante das redes, contribui para um sentimento de acolhimento e pertencimento que, muitas vezes, os aplicativos não oferecem.

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