
Maria Felipa de Oliveira (data desconhecida – 1873), morava na Ilha de Itaparica. “Era negra, escrava liberta, vivia junto com outros tantos libertos, homens e mulheres, de catar mariscos, fazer pão preparar quitutes, vendidos nas feiras locais ou nas proximidades de lojas de secos e molhados”, conta Cecilia Helena de Salles Oliveira, professora do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo a historiadora, ela acabou se envolvendo na luta contra as tropas portuguesas porque estas atrapalhavam as atividades e queriam ocupar pontos estratégicos da ilha. “Felipa e os grupos de negros e homens livres ‘ganhadeiros’, como se dizia, precisavam defender seu ganha-pão diário”, acrescenta.
Conhecida por ser uma mulher muito alta e de grande força física, Maria Felipa teria liderado um grupo de 200 pessoas, que usavam facas de cortar baleia, peixeiras, pedaços de pau e galhos com espinhos como armas. Um dos feitos do grupo foi ter queimado 40 embarcações portuguesas que estavam próximas à Ilha.
Artimanhas de sedução também integravam as táticas de guerrilha. Inebriados pelas mulheres locais, os portugueses seguiam com elas para a praia, onde bebiam o que elas lhes ofereciam e eram despidos.
Certos de que teriam seus desejos satisfeitos, recebiam, em vez disso, uma surra de cansanção – planta que provoca urtiga e sensação de queimadura na pele. Reza a lenda que o canto de Maria Felipa dizia: “Havemos de comer marotos com pão, dar-lhes uma surra de bem cansanção, fazer as marotas morrer de paixão”.
Mesmo após a independência, ela continuou exercendo sua liderança sobre a população pobre da Ilha de Itaparica, incluindo índios tupinambás e tapuias. Na primeira cerimônia de hasteamento da bandeira do Brasil na Fortaleza de São Lourenço, na Ponta das Baleias, Felipa e seu grupo invadiram a armação de pesca de um português rico e surraram um vigia, o que demonstra que as hostilidades entre portugueses e brasileiros, principalmente os pobres, não terminaram naquele 2 de julho de outrora.
Joana Angélica e Maria Quitéria são outras mulheres que participaram diretamente da Independência da Bahia.
