
Filha de uma trabalhadora doméstica e de um marceneiro, Olívia Santana, 56, é uma mulher preta que milita desde o tempo do movimento estudantil. Assim que enveredou pela seara política, foi vereadora, secretária municipal de Educação e Cultura de Salvador, atuou também nas secretarias estaduais de Política para Mulheres, e de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte. Atualmente, é deputada estadual (segundo mandato) pelo PCdoB/Ba, eleita com mais de 92 mil votos.
Primeira deputada preta eleita na Assembleia Legislativa da Bahia, Olívia é formada em pedagogia pela Ufba. No campo político, foca seu trabalho na construção de um projeto de transformação social, sempre em parceria com as diversificadas identidades humanas. Para Olívia, é na diversidade que nasce a criatividade.
Inquieta e ousada, decidiu agora apostar no universo literário. A deputada lança, dentro do projeto Casa Mulher com a Palavra, Mulher Preta na Política, pela editora Malê, amanhã, no Institut Goethe (Icba/Vitória), às 18h30. Não por acaso, na mesma data em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
De acordo com a autora, este primeiro livro é um manifesto de suas ‘escrevivências’ – termo cunhado pela escritora mineira Conceição Evaristo –, um documento histórico e um gesto de convocação para que mais mulheres negras ocupem o espaço da política partidária. Forjada no poder da oralidade, Olívia conta como seu tino de contestadora atravessou sua vida e a levou a fóruns de deliberação e empoderamento.
A deputada compartilha mais de 35 anos de trajetória nas lutas sociais, fala dos desafios impostos pelo racismo e o sexismo, e de transformações possíveis somente através da luta política, mas nem todos os relatos apontam para vitórias e alegrias. E já na introdução do livro, ela avisa: “imaginem o que faz uma universidade na cabeça de uma faxineira, favelada e inquieta”.
A Tarde
