
O debate realizado na noite da quinta-feira, 29, pela Rede Globo, o último antes do primeiro turno das eleições, que acontece no domingo, 2, teve momentos de tensão entre os candidatos e pouco espaço para que os postulantes ao Palácio do Planalto confrontassem as suas propostas de governo.
Já no início, no primeiro bloco do debate, quando participava do debate direto com o candidato Padre Kelmon (PTB), o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez acusações ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Nós não podemos continuar num país da roubalheira. O governo que nos antecedeu não tinha qualquer compromisso, qualquer respeito com a família brasileira. É um governo que quis impor a agenda da ideologia de gênero […], que quer a liberação das drogas. Esse governo do PT, ou melhor, desgoverno… Por exemplo, Lula defendia que se roubasse um celular para tomar uma cervejinha”, declarou Bolsonaro.
A partir disso, começou uma sequência de pedidos de direito de resposta entre Lula e Bolsonaro por causa das suas falas. Os dois trocaram acusações sobre episódios de corrupção durante os governos petistas e do atual presidente. Lula questionou Bolsonaro sobre sua gestão durante a pandemia e as acusações levantadas pela CPI da covid. Ao passo que Bolsonaro respondeu mencionando a prisão do ex-presidente e fazendo críticas aos episódios de corrupção durante os governos do PT. “Tome vergonha na cara, Lula”, afirmou o atual presidente.
Lula rebateu apontando que foi “absolvido” de todos os processos. “Eu acho que candidato está desinformado ou lê o que quer. Eu tive 26 denúncias mentirosas feitas por um juiz que depois virou ministro do governo de Bolsonaro. Eu fui absolvido no Brasil pela Suprema Corte e pela ONU. Na quarta-feira, 28, fui absolvido em uma outra ação pelo ministro Gilmar Mendes”, destacou.
No quarto bloco, já no início, foi sorteado para a candidata do União Brasil, Soraya Thronicke, perguntar sobre Segurança Pública. No entanto, ela escolheu o presidente Jair Bolsonaro (PL) para debater e perguntou se o chefe do Executivo pretendia dar um golpe, caso não fosse eleito.
Bolsonaro alertou que esse não era o tema da rodada, sobre segurança pública, e não respondeu a respeito de uma possível ruptura institucional. Ela, então, o perguntou se ele tomou a vacina contra a covid-19. O presidente, por mais uma vez, não respondeu. “Comprei 500 milhões de doses de vacina. Vacinou-se quem quis. Quem não quiser tomar vacina, que não tome”.
Bolsonaro ainda acusou que a senadora o ataca tanto porque não atendeu os pedidos por cargos que a candidata fez para empregar nomes indicados por ela em cargos comissionados. “A senhora seria muito dócil comigo, por exemplo, se eu tivesse atendido a senhora em todos os cargos que a senhora pediu para mim, por ofício, assinado”. “A senhora está fazendo um papel de laranja, com certeza”, acusou também o presidente.
A Tarde
