
Os números deixam claro que Matheus Davó é o principal jogador do Bahia na Série B. Só que o atleta com mais jogos, maior artilheiro e garçom do time na competição não vive boa fase e o jejum de seis jogos sem marcar incomoda torcida e críticos, sobretudo porque o Tricolor precisa de seus gols para garantir o acesso à 1ª Divisão.
Davó fez sua primeira partida pelo Bahia justamente na estreia do time na Série B, no triunfo contra o Cruzeiro, por 2 a 0, quando saiu do banco de reservas e deu a assistência para o primeiro dos dois gols de Jacaré. A dupla, aliás, lidera o ranking de jogadores do Tricolor com mais jogos no torneio, com 30 para Davó (19 como titular) e 29 para Jacaré (que começou 11 partidas). A quantidade de duelos mostra que o atleta tem sido uma peça-chave para o técnico Enderson Moreira, mas a quantidade de vezes em que iniciou na reserva também evidencia a inconsistência de sua produtividade.
Assim como o próprio Bahia, o desempenho de Matheus Davó vive uma montanha-russa na Série B. Ao passo que o Esquadrão mostra força na Fonte Nova e se apequena longe dela, o atacante não consegue repetir um bom futebol por muitos jogos seguidos. Apesar de ser o artilheiro do time no torneio, com oito gols (quatro a mais que Jacaré, 2º colocado), ele já não marca há mais de um mês (seis partidas), desde o empate fora de casa em 1 a 1 com o Londrina, em 16 de agosto. Havia marcado dois no duelo anterior, em Salvador, contra o Ituano, mas nas 13 partidas antes dessa havia feito apenas um gol, contra o Náutico (marcou um também contra o Athlético-PR, pela Copa do Brasil).
A produtividade está baixa também nas assistências. Depois de um impulso nas cinco primeiras rodadas, com três passes para gol, Davó só voltou a dar uma assistência justamente na cobrança de escanteio do gol de Ricardo Goulart, no fim do 1º tempo do jogo contra o Operário-PR, no último sábado. Ainda assim, do mesmo jeito que está no topo da lista de artilheiros do clube na Série B, lidera também o ranking dos garçons, com quatro no total, dividindo a 1ª posição com Mugni.
Em sua entrevista coletiva, na manhã de terça, no CT Evaristo de Macedo, Davó mostrou que está mais preocupado com o desempenho coletivo do Bahia que com seu rendimento individual e disse que o Tricolor precisa voltar a vencer fora para ter uma reta final tranquila nessas derradeiras sete rodadas da Série B.
“Estou aqui para ajudar a equipe. Espero fazer mais assistências e mais gols. Estou aqui para ajudar e fazer o melhor para o Bahia. A gente fechou internamente. Na cabeça, a gente tem que vencer esses dois jogos fora de casa para dar passos largos para o acesso. É o único foco da nossa equipe no momento. São jogos bem difíceis, mais do que contra equipes que estão brigando lá em cima, porque a luta contra o rebaixamento, contra equipes que estão tentando se manter na Série B. Então a gente tem que aproveitar isso da melhor forma. E usar da melhor maneira o nosso jogo”, disse o atacante sobre os duelos contra a Chapecoense (14º colocado), na sexta-feira, e Novo Novorizontino (15º), no dia 4/10.
O Bahia não vence há três jogos (sua pior sequência na competição) e está há seis partidas sem ganhar fora de casa, desde o início do returno. Nesse período, marcou apenas um gol como visitante (justamente o de Davó, contra o Londrina) e está a três sem balançar as redes longe de Salvador. “Fora de casa, os times costumam não marcar como aqui. Eles pressionam mais, jogam mais no nosso erro. A gente está conversando para mudar as estratégias e pontuar fora de casa”, finalizou.
