Esportes

Após goleada, Vitória quer fazer valer retrospecto contra seus rivais

No grupo, o Leão ainda se destaca pelo tamanho e pela própria história construída, mesmo na Série C

Não há como comparar o nível de tradição entre os dois grupos do quadrangular final da Série C. Entre os times da chave B, a mistura fica entre clubes emergentes e outros mais antigos, mas no Grupo C a história, literalmente, é bem maior. Mesmo assim, dentre eles, o Vitória ainda é incomparável nesse quesito, e voltará ao Barradão para defender não só seu tamanho como instituição, mas também o retrospecto de ampla vantagem contra cada uma das equipes que ainda precisará enfrentar para o acesso. O próximo duelo é com o ABC, oponente que já não vence o Leão há 22 anos na capital baiana.

Parar para pensar na situação atual da Fábrica de Craques é um exercício melancólico, porém, o momento de reviravolta e a sinergia entre jogadores e arquibancada retomaram um pouco da autoestima do torcedor. Esse é o indivíduo que não esqueceu por um segundo o tamanho do seu clube e qual prateleira deve ele ocupar no futebol brasileiro. Colocado o discurso, a imposição do escudo precisa ser traduzida para dentro das quatro linhas, algo que parece difícil, mas nem de longe impossível. Até porque, contra esses mesmos times que o Rubro-Negro Baiano agora disputa para conseguir o acesso à Série B, o próprio Leão já tem ampla vantagem.

O Paysandu foi a primeira vítima. No confronto, o Nego já ostentava cinco partidas sem perder para o Papão da Curuzu em Salvador, antes do duelo que abriu o quadrangular. A última vez que a Fábrica de Craques conheceu uma derrota na capital baiana foi em 1994, também no Campeonato Brasileiro. A tragédia do Orlando Scarpelli no último domingo, por exemplo, foi algo que não costuma acontecer, sobretudo por ser uma goleada. No retrospecto, o Vitória leva vantagem, com oito triunfos contra seis reveses. Contudo, antes da partida, nos últimos seis confrontos entre eles, ou o Rubro-Negro havia se dado melhor ou a igualdade tinha permanecido no placar.

Com o início da fase final, todos começaram em pé de igualdade o quadrangular, independentemente da posição que conquistaram a vaga. Sem vantagem por ser líder ou desvantagem por ser o último classificado, o histórico ainda é um fator que pode dar um indício de quem tem mais chance de subir. De olho no retrospecto, o jogo contra o líder ABC parece o mais equilibrado, já que o empate é o resultado que mais persiste – aconteceu em 13 oportunidades. Mas esse tipo de análise só seria válida se o número de triunfos de cada um fosse ignorado. 

Em Salvador, o Alvinegro Potiguar não sabe o que é o gostinho de um triunfo há 22 anos. Nesse século, o Elefante da Frasqueira só venceu o Vitória uma vez em 17 encontros. O Leão se deu melhor em seis chances e as outras dez vezes acabaram em empate. Com 55% de aproveitamento no século XXI, o Rubro-Negro tem que voltar a vencer para não deixar os dois primeiros colocados descolarem e manter a briga ainda sem precisar de milagres. Para um duelo que começou em 1972 e já conta com 23 jogos, perder para uma equipe que nunca venceu a Fábrica de Craques em campeonatos brasileiros parece muito mais difícil do que o oposto. É necessário manter os pés no chão, mas também não faltam motivos para acreditar.

A Tarde

Magno Bastos

Fez Rádio e TV, Pedagogia é Especialista em Direito Educacional, Cronista Esportivo, Mestre de Cerimônia Locutor, Repórter, Apresentador e Produtor

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