O número de desempregados no Brasil já ultrapassou o marco de 14 milhões. Crescendo consideravelmente, principalmente após o início da pandemia, o desemprego, além de um problema, se tornou um tabu para os brasileiros.
Muitas pessoas passaram a se envergonhar de contar a situação de desemprego para pessoas próximas, principalmente porque há um estigma associado ao desemprego muito grande presente no país. Sem a possibilidade de trabalhar em uma empresa com carteira assinada ou prestação de serviços, muitos acabam recorrendo a um empreendedorismo desesperado ou ficam à mercê de caridades da comunidade em que vivem e de assistências governamentais.
A preocupação é ainda mais latente entre mulheres e jovens adultos. De acordo com o Índice do Medo do Desemprego, feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), trabalhadores que moram nas periferias e que possuem baixa escolaridade também entram nessa conta.
O índice ficou em 57,1 pontos na medição de dezembro de 2020, ou seja, acima da média nacional recorde de 50,2 pontos. Quando se trata das mulheres, o indicador de medo do desemprego é de 64,2 pontos; em relação aos homens, o indicador bateu os 49,4 pontos; e, em relação a setembro de 2020, o medo do desemprego apresentou um aumento.
Outra pesquisa realizada pelo LinkedIn (rede social voltada para o ambiente profissional e corporativo) demonstra a vergonha de admitir o desemprego. 45% dos entrevistados disseram que esconderam o fato de estarem desempregados e 55% admitiram ter mentido por pura vergonha.
Para 49% dos entrevistados, o desemprego é uma desvantagem na hora de procurar uma nova oportunidade profissional – 27% acreditam que expor essa informação ao empregador pode reduzir as chances de conseguir um novo emprego. A pesquisa entrevistou 2.012 pessoas que ficaram desempregadas antes ou durante o período da pandemia no Brasil.
Uma saída que muitas pessoas encontram para driblar o desemprego é também se dedicar aos estudos para concursos militares. O número de inscrições para a Escola de Preparação dos Cadetes do Exército (EsPCEx) e para a Escola de Sargento das Armas (ESA) pulou de 10% em 2016 para 14,2% em 2020, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Com a abertura de inscrições para mulheres, a tendência de aumento já era esperada, mas ultrapassou as expectativas para 2020, e o desemprego pode ser um fator importante nesse processo. A Cebraspe concursos, por exemplo, é um dos mais procurados por quem busca passar em um concurso público, visto que é o órgão responsável por concursos, avaliações e certificações de diversos concursos e instituições – dentre elas, ministérios e polícias. Dedicar-se aos concursos públicos pode ser a solução para ingressar em uma nova carreira e ganhar estabilidade financeira e profissional, reduzindo o medo do desemprego.
