Usando as tradicionais vestimentas das baianas, dez mulheres lavaram a escadaria da igreja do Senhor dos Passos, no último dia 23 de janeiro, em Lençóis, na região da Chapada Diamantina (BA).
O número de participantes foi reduzido devido à pandemia de covid-19. Anualmente, a lavagem é o primeiro ato da Festa de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, padroeiro dos garimpeiros da região.
E, apesar da festividade ter sido adaptada às limitações sanitárias, este ano os eventos da manifestação dão início à elaboração de um dossiê e dois filmes que documentam aspectos históricos e etnográficos da festa.
Eles fazem parte da pesquisa que foi iniciada pelo Instituto do Patrimônios Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para o registro do bem como Patrimônio Cultural do Brasil.
Primeiro de um conjunto de rituais que ocorrem até o dia 3 de fevereiro, a lavagem é acompanhada por um cortejo que reúne a Philarmônica Lyra Popular de Lençóis, capoeiristas e o grupo da Marujada.
Esse seria o roteiro da festa, não fosse a pandemia. Em 2021, os eventos foram adaptados. As novenas têm público restrito, seguindo protocolos de afastamento social e uso de máscaras, com transmissão pelas redes sociais. Auge da festa, a procissão anualmente realizada no dia 2 de fevereiro – mesma data da Festa de Iemanjá na Bahia –, será substituída por uma carreata.
“Publicamos uma nota conjunta, da prefeitura, paróquia e Sociedade União dos Mineiros informando sobre as limitações deste ano. É uma festa que atrai pessoas de toda a região, mas pedimos, nesse momento, que as outras paróquias fossem avisadas para que as pessoas não viessem”, explica Ivonete dos Santos, que faz parte da Sociedade União dos Mineiros (SUM).
“Estamos nos preparando para a grande festa que vai ser realizada em 2022.” A pesquisa para o registro do bem deve ser concluída após a filmagem da festa no próximo ano. Ainda assim, desde 2015 o Iphan acompanha a manifestação – ano em que a SUM formalizou o pedido de registro do bem.
